Gengibre é boa opção de renda
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Imagem: Divulgação IDR Paraná
AGRICULTURA

Gengibre é boa opção de renda

O manejo adequado é essencial para uma boa produção
Por: -Eliza Maliszewski

O gengibre é uma raiz de origem asiática e é consumida há mais de três mil anos. Diz a história que foi uma das primeiras especiarias a chegar ao Mediterrâneo, provavelmente introduzida pelos fenícios. No Século I antes de Cristo, em Roma, já se fazia uso do gengibre para temperar os molhos de carnes e frangos. O consumo aumenta com a chegada do frio, em chás e temperos.

No Brasil estados como Espírito Santo, Minas Gerais e Paraná são produtores. A raiz é uma boa opção de renda, sendo demandada, inclusive, para a exportação. No ano passado o Brasil colheu 11 mil toneladas.

Com baixo custo de produção, o cultivo dura de oito a 10 meses desde o plantio até a colheita. Segundo os técnicos do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná ) afirmam que o gengibre pode ser lucrativo, desde que o produtor invista em sistemas sustentáveis, adotando boas práticas na produção e na conservação de solo e água.

O município de Morretes, na região litorânea paranaense, já foi o maior produtor de gengibre do país, porém alguns problemas com o manejo e a concorrência com a produção da china fizeram a cultura declinar nos últimos anos. Nos anos 80 foi iniciada a exportação e a produção anual chegou a 3.450 toneladas, numa área de 150 ha, com uma produtividade média de 23 toneladas por hectare. O município concentrava 50% do volume produzido na região litoral do estado, com exportação de boa parte da produção. Hoje a área cultivada não passa de 40 hectares. 

"Muitos produtores faziam plantios sucessivos, sem rotação de culturas, o que causou o aparecimento de várias doenças. Também era comum a seleção negativa de mudas", explica a agrônoma do IDR-Paraná Ruth Pires. Ela acrescenta ainda que o uso excessivo de adubação química e esterco de aves também causou o desequilíbrio nutricional nas plantas e o surgimento de doenças.

O mercado para a produção de gengibre é diversificado. O rizoma pode fazer parte de receitas culinárias, chás e medicamentos. Além disso, a planta é matéria-prima para a fabricação de balas, sorvetes, bebidas, cosméticos e perfumes. O gengibre vem sendo valorizado pelo mercado por apresentar qualidades anti-inflamatórias, anti-bacterianas, anticoagulantes, digestivas e também por combater problemas respiratórios.  

Segundo informações do Departamento de Economia Rural da Secretaria Estadual da Agricultura (Deral), o preço médio nos meses de janeiro e fevereiro o preço atinge seu ponto máximo, chegando a R$ 180,00 a caixa de 20 Kg. Porém, o gengibre não está maduro nesta época do ano. A maturação ocorre a partir de junho/julho, período em que o preço cai 50%.

Em 2000 o Deral detectou que Morretes concentrava o maior volume de agrotóxicos para batata inglesa, sem que houvesse plantios regulares da cultura no município. O que acontecia era que os agricultores utilizavam os agrotóxicos da batata no gengibre. Esse problema levou o Estado a investir em uma pesquisa voltada à produção orgânica de gengibre.

A Seab/PUC-PR/IDR-Paraná realizaram uma pesquisa de campo, por três anos, para estabelecer algumas referências para a produção orgânica de gengibre, sem o uso de agrotóxicos ou adubos químicos. Os dados foram apresentados aos produtores em cinco dias de campo nos anos em que a pesquisa foi realizada.

As recomendações continuam sendo repassadas aos produtores interessados em cultivar gengibre. Ruth diz que é importante que o produtor faça uma "seleção positiva" das mudas, escolhendo os rizomas de maior qualidade para o plantio. Outra dica é fazer a rotação de culturas, preferencialmente com plantas de cobertura/adubos verdes de rápido desenvolvimento. A extensionista acrescenta que, a partir da pesquisa feita em 2000, foi possível verificar que a prática de plantar crotalária na mesma linha do gengibre ajuda a proteger a planta do sol forte do verão. Outra recomendação que persiste é que o produtor não retire as plantas espontâneas, "plantas daninhas", da lavoura. Segundo Ruth, a meia sombra também evita doenças nas folhas do gengibre. 
 


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