Manejo de percevejos na soja reflete no rendimento e na qualidade dos grãos

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Manejo de percevejos na soja reflete no rendimento e na qualidade dos grãos

Depois que se instalam nas lavouras, os percevejos passam a se alimentar dos grãos em formação
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Os percevejos são pragas que se reproduzem com facilidade e podem provocar perdas significativas na produtividade da soja, danificando grãos e até mesmo as vagens. Devido aos grandes impactos causados por esses insetos, os produtores da oleaginosa devem ficar atentos ao seu manejo. Para a pesquisadora Jurema Rattes, professora na Universidade de Rio Verde (GO), este é um item que pode refletir no rendimento e até mesmo na qualidade dos grãos.

Jurema ressalta que os percevejos são considerados uma das principais pragas na cultura. Ela esclarece que esses insetos chegam na lavoura de forma silenciosa, diferentemente de outras pragas, como lagartas e a mosca branca, que dão sinais mais visíveis de sua presença.

Depois que se instalam nas lavouras, os percevejos passam a se alimentar dos grãos em formação, tornando-o “chocho”. Durante a colheita, este grão será descartado, o que traz prejuízos ao produtor. “Esses insetos vão lentamente sugando esses grãos e muitos justificam a qualidade do grão pela falta de água, ou de chuvas, quando na verdade são as pragas agindo sobre as plantas”, analisa.

Diante disso, uma das estratégias de controle é monitorar a população de percevejos na fase R5 da soja, ou seja, quando os grãos começam a se encher. “A partir de R8, quando as vagens estão com uma coloração mais madura, é que começamos a perceber a presença dos insetos, por isso, é importante o monitoramento nas fases anteriores”, explica a pesquisadora, que menciona, ainda, sobre o uso de inseticidas no início da maturação da soja (R7), fundamental para “barrar” a evolução desses insetos para novos talhões.

Para controlar essas pragas, um dos procedimentos que a pesquisadora defende é o chamado “pano de batida”. O pano, com um metro de largura por um metro de comprimento, é posicionado na entrelinha da soja. Após uma “chacoalhada” nas plantas, observa-se quantos e quais insetos caíram no pano. Assim, é possível estimar a quantidade de insetos presentes na lavoura, e identificar possíveis pragas. O método pode ser adotado ainda nos estágios iniciais da planta e mostra se é necessário ou não o uso de defensivos químicos.

E para quem produz milho safrinha, Jurema aponta a necessidade de se eliminar a população de percevejo o mais rápido possível no estádio R7 da soja. “É interessante fazer esse manejo quando a soja estiver desfolhando, para que os inseticidas de choque consigam eliminar as pragas, impedindo que elas se estabeleçam na safrinha”.

Na avaliação do pesquisador de fitossanidade da Fundação MS, José Fernando Grigolli, monitorar constantemente a área é fundamental e o produtor corre um grande risco se deixar de fazê-lo. O uso de produtos químicos ainda tem sido a principal estratégia de controle. Contudo, a grande questão é sobre qual o momento certo para que as aplicações sejam realizadas.

“É preciso saber o que temos na lavoura, quais são as pragas existentes na área, qual a quantidade e o tamanho delas, se a população de percevejo, em sua maioria, é ninfa ou adulta, para posicionarmos os produtos de forma adequada”, destaca o pesquisador. Grigolli também reitera que, dependendo da infestação da praga, a perda de produção pode variar de 15 a 20%. “Se considerarmos o desconto no armazém, durante a fase de comercialização dos grãos, pelos danos secundários causados pelo percevejo, o prejuízo pode chegar a 40%, numa situação mais extrema”, pontua.

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