Safra recorde derruba cotações do café no exterior
USDA reforça cenário de queda para o café
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Os preços do café registraram forte queda nas bolsas internacionais na última semana, pressionados principalmente pelas perspectivas de uma safra recorde no Brasil e pelo aumento da oferta global. A avaliação é de Leonardo Rossetti, especialista em inteligência de mercado da StoneX, que aponta um cenário de maior disponibilidade do produto nos próximos meses.
Segundo Rossetti, os contratos do café arábica negociados em Nova York recuaram 7,6%, atingindo os menores níveis em mais de um ano e meio. Em Londres, os contratos do robusta acumularam queda de 4,6%. “O principal fator de pressão continua sendo a expectativa de uma safra recorde no Brasil, que deve ampliar significativamente a oferta nas próximas semanas”, afirmou.
Apesar de a colheita ainda avançar em ritmo inferior ao esperado, os trabalhos vêm ganhando velocidade. De acordo com levantamento da StoneX, a colheita do café arábica alcançou 23% da área cultivada até o fim da última semana, ante 16% registrados na semana anterior. No caso do café conilon, os trabalhos chegaram a 42% da área, acima dos 33% observados anteriormente.
O especialista destaca que o cenário de maior oferta foi reforçado pelo mais recente relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que estimou a produção brasileira de café para a safra 2026/27 em 71 milhões de sacas. Embora o volume seja inferior à projeção da StoneX, de 75,3 milhões de sacas, ainda representa um recorde para o país. “Considerando todos os países produtores, o USDA projeta crescimento de 6,4% na produção global na próxima temporada”, ressaltou.
Além do aumento esperado na produção brasileira, a recuperação da safra colombiana em maio também contribuiu para a pressão sobre as cotações internacionais, ampliando as expectativas de oferta no mercado mundial.
Rossetti observa que os contratos chegaram a ensaiar uma recuperação no início desta semana, mas encerraram o pregão novamente em leve queda. “Do ponto de vista técnico, o mercado apresenta sinais de sobrevenda, o que pode abrir espaço para correções pontuais nos próximos dias. No entanto, os fundamentos continuam baixistas e não há, neste momento, uma resistência técnica relevante que impeça novos testes de preços mais baixos”, explicou.
Outro fator que segue influenciando o mercado é a atuação dos fundos de investimento. Segundo o analista, o aumento das posições vendidas reforça a percepção de continuidade do movimento de baixa nas cotações.
Para as próximas semanas, o mercado continuará atento às condições climáticas nas regiões produtoras de café arábica durante o inverno brasileiro. “Eventuais registros próximos de 5°C podem provocar volatilidade nas cotações. Além disso, permanece o acompanhamento das condições climáticas relacionadas ao La Niña, especialmente entre agosto e setembro, período que antecede a florada. Por ora, porém, os indicativos apontam para um fenômeno de baixa intensidade e sem impactos significativos sobre a produção brasileira”, concluiu.