Prejuízos na agricultura aumentam no Vale do Rio Pardo/RS

Imagem: Nadia Borges

PREJUÍZO

Prejuízos na agricultura aumentam no Vale do Rio Pardo/RS

Animais correm risco de não ter onde matar a sua sede. Rios e reservatórios estão cada vez mais baixos
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As precipitações registradas desde o início deste mês não ajudaram a recuperar a situação crítica enfrentada pelos agricultores gaúchos desde o fim do ano passado. O assistente técnico regional na área de produção vegetal da Emater/RS-Ascar, Josemar Parise, afirma que todos os 39 municípios da regional de Soledade decretaram situação de emergência por causa da seca. “As últimas chuvas volumosas e gerais ocorreram em 7 de novembro. A partir daí começaram chuvas fracas e irregulares em toda a região. Em fevereiro e março praticamente não choveu.”

Em âmbito regional, são esperadas perdas de 55% na soja e 47% no milho, em relação à média de produtividade estimada inicialmente. “Para o milho destinado à produção de silagem, os prejuízos causados pela seca são maiores devido à ocorrência de perdas de massa verde (secamento de folhas do baixeiro), além do grão. Com isso, a silagem perdeu em quantidade e qualidade como alimento para o rebanho bovino, principalmente o leiteiro, que terá perdas na produção de leite ao longo do ano.” O técnico destacou ainda que as perdas na cultura do milho continuam, visto que muitas lavouras da safrinha não completaram o ciclo.

Há prejuízos também na mandioca, da qual municípios do Vale do Rio Pardo são os maiores produtores. Melancia, tabaco e feijão safra e safrinha igualmente tiveram perdas. O número de laudos do Programa de Garantia de Atividade Agropecuária (Proagro), elaborados no Rio Grande do Sul pela Emater, já ultrapassou a marca dos 8 mil. Desde dezembro, técnicos realizam perícias, especialmente em lavouras de milho e soja, as mais castigadas pela estiagem.

Parise ainda lamentou a situação das pastagens. “Por conta do longo período de chuvas irregulares e fracas com predominância de tempo seco, os teores de umidade do solo se mantêm em níveis baixos e as pastagens desenvolvem-se dentro de um quadro de estresse hídrico frequente, resultando em pasto de baixa qualidade e quantidade. Como consequência, os rebanhos perdem peso”, comentou.

Em parte do Vale do Rio Pardo (nos municípios de Rio Pardo, Pantano Grande e Encruzilhada do Sul), as precipitações foram ainda mais escassas e muitas áreas de campos nativos secaram. Mesmo os animais correm risco de não ter onde matar a sua sede, uma vez que os rios e reservatórios estão cada vez mais baixos.

Pela região

Candelária – Desde 11 de março a Prefeitura tem levado água potável para diferentes localidades do interior, onde muitas famílias não têm mais água nem para beber. O trabalho é feito por uma equipe do Departamento de Meio Ambiente, liderada pelo coordenador municipal da Defesa Civil, Alcioní Silva de Castro. A equipe faz de cinco a nove viagens diariamente, levando em cada percurso 5 mil litros de água para os produtores. “A variação depende da distância a ser percorrida. Quando as localidades são mais distantes, são cinco viagens. Quando são mais perto, conseguimos fazer até nove viagens diárias, de segunda a segunda, folgando apenas aos domingos de tarde”, afirma Castro.

Pantano Grande – O município homologou oficialmente o Decreto de Situação de Emergência no dia 13 de março. Pelo relatório de perdas desenvolvido pela pasta e Emater/RS-Ascar, o prejuízo estimado passa de R$ 75 milhões, na produção agrícola e pecuária. Em Pantano Grande, cerca de mil agricultores (entre produtores rurais e de subsistência) foram afetados.

Santa Cruz do Sul – Há muitos pedidos de serviços por parte dos agricultores, especialmente de abertura de aguadas para os animais matarem a sede. Os produtores são atendidos pelas associações, subprefeituras e também pela Secretaria de Agricultura, que atualmente tem priorizado os casos emergenciais. A estimativa é de uma grande queda na produção.

Sinimbu – No dia 6 de janeiro foi publicado o decreto de situação de emergência, quando os prejuízos nas safras de culturas e atividades agropecuaristas já ultrapassavam os R$ 35 milhões. No mês passado, no dia 16 de março, o governo federal reconheceu o estado de situação de emergência em Sinimbu. Hoje os prejuízos só aumentam, no campo e na cidade. No interior, três retroescavadeiras são utilizadas para a abertura de aguadas em propriedades. A Secretaria de Agricultura ainda auxilia com tratores e tanque para fornecer água aos animais.

Vale do Sol – Para driblar os efeitos da seca, a Prefeitura disponibiliza serviço de retroescavadeira para fazer pequenos açudes onde é possível ter vertentes. Já o racionamento de água ocorre em Rio Pardense desde o dia 16 de março, das 21 às 8 horas, dependendo da necessidade, para que não agrave o abastecimento nas localidades de Linha Emília, Pinhal Trombudo, Faxinal de Dentro e Campos do Vale. Desde janeiro já foram entregues mais de 3 milhões de litros de água.

Venâncio Aires – O Decreto de Situação de Emergência do município foi homologado pelo governo federal em 16 de março. Um dia depois, formalizou-se um comitê para gerenciamento das demandas e problemas causados pela estiagem, que já resultou em mais de R$ 75 milhões em prejuízos. O grupo avalia o abastecimento e a qualidade da água, assim como organiza os pedidos de ajuda, principalmente do interior. As demandas, em sua maioria, referem-se ao abastecimento de água, abertura de poços e limpeza de açudes. Conforme números divulgados pela Emater/RS-Ascar, as perdas nas lavouras já chegam a R$ 107 milhões.

Vera Cruz – Ao mesmo tempo em que o município anuncia medidas de combate à pandemia do coronavírus, as secretarias de Obras, Saneamento e Trânsito e de Desenvolvimento Rural e Meio Ambiente dão sequência a trabalhos essenciais. No interior, as nove máquinas da Prefeitura, duas escavadeiras hidráulicas (dragas) e sete retroescavadeiras, priorizam os trabalhos para amenizar os prejuízos com a estiagem, com a abertura e limpeza de açudes e aguadouros, ou ainda com abertura de acessos a locais com água. Um levantamento da Emater/RS-Ascar aponta que a falta de chuvas causou uma perda de 80,75% na soja cultivada em Vera Cruz.
 


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