Chuvas passam a ser irregulares no RS
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Imagem: Pixabay
AGROTEMPO

Chuvas passam a ser irregulares no RS

Foram observados padrões distintos durante o mês de setembro
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Em termos de precipitação, no Rio Grande do Sul (RS) foram observados padrões distintos durante o mês de setembro. A metade Norte, como um todo, teve baixos volumes acumulados (menos de 100mm), ficando a anomalia de precipitação negativa. Na Metade Sul, nas regiões da Fronteira Oeste e Campanha, os acumulados até chegaram aos 100-150mm, mas, ainda assim, abaixo da média climatológica. As regiões que tiveram precipitação entre 150-200mm foram as da faixa Leste e Central do Estado, em que a anomalia de precipitação ficou positiva.

Situação atual do fenômeno ENOS (El Niño-Oscilação Sul) e perspectivas

Segundo o relatório mais recente da NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration), existe 85% de chance das condições da La Niña continuarem durante o verão e 60% de chance para o período do outono. As anomalias da circulação atmosférica sobre o Oceano Pacifico Equatorial continuaram consistentes com o padrão de La Niña durante setembro. Ou seja, de modo geral, o sistema oceano-atmosfera está acoplado, o que indica que o padrão La Niña continuará nos próximos meses. 

O pico do resfriamento deverá ocorrer até o final do ano, assim, se configurar de fato, o La Niña será de curta duração e possivelmente de moderada intensidade, pelo que indicam os modelos. Neste mês de setembro, a anomalia negativa das águas do Oceano Pacífico Equatorial aumentou de magnitude e abrangência, como pode ser visto na Figura 3. 

Durante setembro, a anomalia média na região Niño3.4 foi de -1,0 °C e na semana de 1º a 7 de outubro, a anomalia, na mesma região, chegou a -1,5 °C, o que poderá caracterizar uma La Niña de forte intensidade em alguns momentos da primavera e verão, o que gera apreensão. 

A boa notícia fica por conta do que está ocorrendo no Oceano Atlântico Sul, com anomalias de temperatura cada vez mais positivas. Se continuar, ele poderá amenizar ou até anular o efeito do resfriamento no Pacífico e, assim, trazer uma condição melhor de chuvas para o RS durante o verão.

Precipitação no trimestre novembro e dezembro de 2020 e janeiro de 2021

A primavera é a estação de transição entre o período frio (inverno) e o período quente (verão) do ano, por isso, oscilações são normais. No caso das temperaturas, é comum ter dias de frio, até com formação de geada, seguidos de dias mais quentes, com temperaturas próximas ou até superiores a 30 °C. Com relação às chuvas, o padrão é o mesmo! 

Observando a climatologia, os volumes e a frequência das chuvas são maiores nos meses de setembro e outubro em relação a novembro e dezembro. Além disso, a partir de novembro, com o aumento da temperatura, a evapotranspiração também é maior e, dessa forma, diminui ainda mais a umidade no solo disponível para as plantas. 

Com a temperatura da água do Oceano Pacífico mais fria, a tendência é de que as chuvas fiquem ainda mais espaçadas que o normal. Assim, de modo geral, as previsões apontam para anomalias negativas da precipitação para os próximos meses. 

Para novembro, o Modelo Regional Climatológico, implementado no Centro de Pesquisas e Previsões Meteorológicas da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) prevê chuvas abaixo da média, assim como o modelo americano CFSv2. O modelo do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) também prevê que as chuvas ficarão abaixo da média, algo em torno de -40 a -80mm.

Em dezembro, a situação melhora para a maioria das regiões. A metade norte deve ter maior volume de chuvas, podendo algumas regiões ficarem com anomalias positivas, como é o caso da região Noroeste do RS, o que beneficiaria parte da Fronteira Oeste. Já a metade Sul, além de ser uma região em que chove menos (Figura 5B), os modelos preveem que as chuvas deverão ficar entre o normal e abaixo do normal, entre -30 e -60mm.

Em janeiro, a situação pode ser semelhante à de dezembro. Os modelos continuam indicando chuvas em menor volume na metade Sul do Estado, quando comparada à metade Norte. Porém, precisa-se ainda monitorar a temperatura da água do Oceano Atlântico, pois se continuarem com anomalias positivas, o cenário poderá mudar um pouco.


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