Carrapato Bovino

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CI
Agronegócio

Carrapato Bovino

Por:

Amaury Apolonio de Oliveira*
Hymerson Costa Azevedo*
Tânia Valeska Medeiros Dantas*


*Pesquisadores da Embrapa Tabuleiros Costeiros (Aracaju, SE).
 
O carrapato Rhipicephalus (Boophilus) microplus é um parasito externo que vive parte de sua vida sobre os bovinos (vida parasitária), alimentando-se de sangue e, quando infectado, transmite hematozoários, principalmente dos gêneros Anaplasma e Babesia, que vão infectar o animal.

O Boophilus microplus causa muitos prejuízos pela ação espoliativa de ingestão de sangue, por lesões na pele, condicionando ao aparecimento de infecções secundárias com consequente desvalorização do couro do animal parasitado e pela transmissão dos hematozoários. Outras perdas relacionadas com esse parasito são diminuição de peso, redução da produção de leite, queda da natalidade, aumento da mortalidade e dos custos de mão de obra e materiais, principalmente na premunição e no tratamento da tristeza parasitária bovina (TPB). Com a contínua especialização da atividade leiteira, os problemas têm aumentado principalmente nos rebanhos de criação semiconfinada e naqueles criados a pasto, com um elevado padrão genético, principalmente das raças europeias.

Sobre o animal estão carrapatos machos e fêmeas que se acasalam na fase adulta. Após o acasalamento, a fêmea ou “teleógina”, também chamada de jabuticaba ou mamona, ingere uma quantidade relativamente grande de sangue (cerca de 0,5 mL). Desprendem-se do animal e vão se localizar em lugares úmidos e ao abrigo da luz. Três dias após, iniciam a fase de postura por aproximadamente 18 dias, seguindo-se pela eclosão das larvas, fase que pode chegar a 30 dias. Decorridos aproximadamente cinco dias, essas larvas adquirem a capacidade para caminhar até atingir a extremidade do capim (geotropismo negativo) para infestar os bovinos e iniciarem a fase parasitária, alcançando a vida adulta dentro de aproximadamente 21 dias, quando novamente voltam ao solo, para pôr ovos e assim sucessivamente. Neste processo, O ciclo completo do carrapato dá ensejo a varias gerações por ano deste ectoparasito. Em climas quentes ocorre uma média de quatro a cinco gerações.

O esquema mais utilizado do controle estratégico é iniciado nos meses mais quentes do ano pela aplicação de cinco a seis banhos com intervalos de 21 dias ou de quatro aplicações “pour on” com intervalos de 30 dias. O sucesso desses banhos está na tomada de algumas precauções: o bico do pulverizador deve ser em leque, forte, fino e com pequenas gotículas e estar funcionando adequadamente; todos os animais do rebanho devem ser banhados ao mesmo tempo ou num intervalo máximo de quatro dias; para a mistura, o carrapaticida deve ser adicionado de acordo com as recomendações do fabricante, em aproximadamente três litros de água e homogeneizado por dois a três minutos. À medida que se adiciona a água ao pulverizador, continua-se com o processo de homogeneização, a fim de que o carrapaticida sofra realmente um processo completo de diluição; para pulverizar, o produtor deve escolher um horário e local sem ventos e sol e que permita amarrar os animais.

A pressão do jato deve ser suficiente para atravessar os pelos, atingindo e molhando a pele, sem machucar o animal; os animais devem ser contidos para o banho e o líquido deve atingir todo o seu corpo, especialmente as regiões de maior localização dos carrapatos; somente banhar animais na dosagem recomendada pelo laboratório fabricante para a obtenção do efeito terapêutico e profilático do produto; cada animal deverá ser pulverizado com a quantidade do produto especificada pela bula. . No caso de que um pulverizador costal de 20 litros seja suficiente para quatro animais, recomenda-se que o produtor amarre-os e pulverize-os de uma por vez.

A troca do produto carrapaticida deverá ser realizada quando for comprovada a resistência da população de carrapatos. Uma maneira prática de avaliar a resistência dos carrapatos ao produto carrapaticida é a seguinte: trinta teleóginas fêmeas, completamente ingurgitadas ou cheias de sangue, são retiradas dos bovinos sendo divididas em dois grupos de quinze; o primeiro grupo é colocado por cinco minutos na solução que vai banhar os animais; o segundo grupo é colocado em água, pelo mesmo tempo; ambos os grupos são colocados em caixinhas de fósforo ou recipientes de plástico e ao abrigo do sol; a partir do sétimo dia, não havendo resistência, ou seja, o produto sendo eficiente, as fêmeas banhadas morrerão ou colocarão poucos ovos, escuros e secos, enquanto aquelas não banhadas colocarão muitos ovos, aderidos, brilhantes e marrons-claros.

As alternativas de combate ao problema, sobretudo ao controle dos carrapatos onde a resistência está consolidada vêm sendo objeto de várias frentes de estudo com perspectivas bastante significativas a julgar pelas respostas alcançadas nas condições laboratoriais. A eficiência das vacinas vem sendo consideravelmente aumentada por meio da tecnologia molecular por meio de antígenos recombinantes de Boophilus microplus, entre outros, aumentando a resistência de diferentes grupos genéticos de bovinos.

O controle natural pela ação dos fungos na infecção dos diferentes estágios dos carrapatos desde a ovoposição até as fêmeas ingurgitadas ou teleóginas, embora nas condições de campo a sua eficiência não seja ainda desejável.

Resultados interessantes têm sido alcançados pelos métodos genômicos na adaptação de bovinos a ambientes onde o carrapato se mostra resistente aos métodos convencionais. Os biocarrapaticidas a base de extratos de diferentes óleos essenciais de plantas reconhecidamente acaricidas têm apresentado uma ação eficiente na fase parasitária e em laboratório, sendo necessários estudos mais apurados que possam mostrar uma eficiência mais prolongada e preços mais competitivos. Todas as novas alternativas de combate aos carrapatos são no sentido de reduzir a resistência existente frente aos carrapaticidas e possibilitar o uso de produtos de grande eficácia com menor risco de toxidez para o animal, o homem e o meio ambiente.
 

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