Tuberculose bovina e seus riscos à saúde pública

Agronegócio

Tuberculose bovina e seus riscos à saúde pública

Tuberculose bovina e seus riscos à saúde pública
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A grande maioria dos bovinos criados em pastagem sob clima tropical apresenta uma defesa natural contra determinadas doenças. Mesmo com estes fatores favoráveis ao seu bem estar sanitário, a espécie bovina juntamente com as espécies humana e as aves, são os principais protagonistas para a disseminação da tuberculose através dos séculos. Em rebanhos de corte, a doença é menos freqüente, apresentando maior incidência em rebanhos leiteiros.

A tuberculose bovina é uma doença que atinge os pulmões diminuindo a capacidade respiratória dos animais, mas também pode afetar as glândulas mamárias, testículos, útero, etc. As três micobactérias (M. tuberculosis, M. bovis e M. africanum) são as principais causadoras da tuberculose nos mamíferos. Em relação a espécie humana, as espécies M. bovis e M. tuberculosis têm significado importante no surgimento da doença em regiões onde a pecuária é bastante desenvolvida. Estas duas espécies, se não diagnosticadas a tempo em bovinos de corte ou leite podem contribuir para a contaminação do ser humano. A doença tem uma evolução lenta, com os sinais clínicos pouco freqüentes em bovinos, mas em estágios avançados, o gado apresenta uma magreza progressiva.

O conhecimento de como a doença se desenvolve no rebanho é importante para o criador, pois a contaminação do gado que é ocasionada por M. bovis pode atingir os seres humanos, como também, a tuberculose humana, causada por M. tuberculosis, poderá infectar os bovinos, mas não ocorrendo uma progressividade da doença. Por estes motivo, ocasionalmente, quando se realiza testes de tuberculina nos rebanhos, os animais poderão apresentar sensibilidade ao teste.

Na zona rural, muitas pessoas que trabalham com os rebanhos podem se contaminar por M. bovis cujo agente causador se propaga pela respiração, fezes, leite ou fluídos corporais do animal, com o agravante de que, estes germes são eliminados bem antes do surgimento dos primeiros sintomas da doença. As pessoas contaminam-se diretamente, também, pela ingestão do leite “mugido”, no próprio curral, pois na maioria das vezes nem chegam a ferver o leite. Por isto, o principal perigo de contaminação para o ser humano é o consumo do leite in natura,

No Brasil, entre os anos de 1989 e 1990, a prevalência da doença situou-se em torno de 1,3% de animais reagentes à tuberculina. Estudos realizados em Minas Gerais indicaram que 5% das propriedades apresentaram animais reagentes ao teste de tuberculina.

Como a doença não apresenta sinais clínicos alarmantes, os criadores e profissionais da área não se sentem muito motivados para combatê-la. Ao contrário da brucelose, que é uma doença de caraterística aguda, responsável por abortos, febre, perda de animais e queda na produção.

Este cenário de desconhecimento da gravidade da doença faz com que a tuberculose contamine o rebanho lentamente até atingir alta incidência o que leva a perdas de até 25% na eficiência produtiva. Nos bovinos, a única forma de tratamento é o descarte, enquanto nos seres humanos, o processo de cura é lento e implica em afastamento do trabalho.

No Estado do Acre, ainda não existe um levantamento epidemiológico da doença. Por isto, o Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal (IDAF) e os pecuaristas, através do Fundo de Desenvolvimento da Pecuária do Estado do Acre (FUNDEPEC), já se articulam para aderir ao Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose. Para o gado de corte, este programa prevê a realização de testes de tuberculose, de forma amostral, em animais aptos a reprodução, enquanto para o rebanho de leite, serão realizados testes em todos animais com idade a partir de 6 meses.

A doença necessita de um controle mais efetivo e de maior abrangência. Por exemplo, o diagnóstico da tuberculose em Postos de Saúde pode alimentar uma rede de informação com o IDAF para se chegar rapidamente a origem da contaminação no campo. Outra sugestão, como medida de controle, é que as empresas rurais façam anualmente exames de tuberculose em seus funcionários. A interação entre secretarias de estado e municípios mais o apoio de instituições públicas e não governamentais torna-se uma estratégia primordial para combate da doença. Em 2004, uma parceria entre a Embrapa Acre, Idaf, Seap e Senar garantiu a capacitação de dezenas de médicos veterinários e produtores para identificação e controle das zoonoses.

Hoje, o rebanho acreano passa pelo processo de avaliação da Organização Internacional de Epizootias (OIE) para que o Estado se torne zona livre de febre aftosa. Com a implantação do Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose, o Acre dá mais um passo para ficar protegido de barreiras sanitárias pronto para alcançar novos mercados.


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