Hantavirose
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Hantavirose

Hantavirose
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Enfermidade causada por vírus e transmitida por roedores silvestres ao homem. Segundo dados da Secretaria da Saúde de SC, entre 1993 e outubro de 2001 foram confirmados 146 casos no país, sendo 16 casos no estado. Em 2000 foram confirmados 5 casos no município de Seara, todos de uma mesma família. No ano de 2002 em SC, foram confirmados 11 casos com cinco mortes.

O vírus pertence ao gênero Hantavirus da família Bunyaviridae. Já se descobriu muitas variações deste vírus e cada uma está associada a uma espécie de roedor hospedeiro.

Há duas formas de enfermidade:

1. Febre Hemorrágica de Sindrome Renal (FHSR), onde até o momento não há relatos no Brasil, esta forma é mais comum na Ásia.

2. Sindrome Pulmonar por Hantavirus (SPH), forma encontrada no Brasil e na maior parte da América.
Há aproximadamente 32 tipos de Hantavirus distribuídos pelo mundo, sendo que no continente Americano foram identificados 13 espécies de vírus e, pelo menos 6 delas, relacionadas com Sindrome Pulmonar. No Brasil foram identificados 3 tipos de hantavírus geneticamente distintos: Juquitiba – SP; Castelo dos Sonhos – MT e Araraquara – SP. Dos roedores hospedeiros já foram identificados com sorologia positiva no Brasil: Akodon cursor; Oligoryzomys nigripis, Bolomys lasiurus.

Na Síndrome Pulmonar por Hantavirus (SPH), o modo de transmissão mais freqüente é pela inalação de partículas suspensas no ar de fezes, urina e saliva de ratos silvestres contaminados. Também é possível a transmissão através da mordedura destes ratos. Quanto a transmissão homem a homem, foi descrita em 1996 em um surto ocorrido na Argentina onde a partir de um caso confirmado houve contaminação de mais 12 pessoas, sete das quais eram profissionais de saúde. Outros estudos foram feitos como no surto de 1993 nos EUA onde não se detectou nenhum caso de enfermidade clínica ou soro positivo entre mais de 266 técnicos de saúde que trabalharam diretamente com os pacientes. Em outro estudo feito em Seara, foram analisados 88 amostras de soros de profissionais de saúde que entraram em contato com pacientes contaminados. Destes 1 soro era positivo. Também foram coletados soros de 71 profissionais que não entraram em contato com estes pacientes e 2 tiveram resultado positivos. Uma terceira análise de soros foi realizada com 51 familiares destes profissionais onde todos os soros foram negativos. As 3 pessoas com soro positivos tinham contato com o meio rural. Acredita-se que o surto da Argentina foi um fato isolado, pois nos demais surtos estudados não houve comprovação de transmissão inter humana.

Um dos fatores relacionados com o aumento de casos, é o desequilíbrio ecológico. Nos últimos anos tem diminuído o número de predadores destes roedores. Também houve uma modificação no habitat natural e estes ratos silvestres entraram em contato com o homem. Um bom exemplo destas modificações é o plantio de Pinus, onde os roedores silvestres se adaptam a esta área, e quando ocorre a extração da madeira, o homem entra em contato com o vírus. Isto foi comprovado em casos no Paraná, onde lenhadores passavam dias em acampamentos precários no meio dos Eucaliptos. Os roedores obtinham comida e abrigo nestes acampamentos. A construção de barragens, os desmatamentos e a urbanização de zonas rurais também tem colaborado com a aproximação deste roedores nas habitações humanas. Estas, na sua maioria, possuem construções que permitem a entrada dos ratos silvestres e propiciam alimentos em abundância, principalmente milho. Em São Paulo houve casos relacionados com o fenômeno chamado ratada que é o aumento na população de roedores devido a maior oferta de alimentos naturais devido a floração e frutificação cíclica de determinadas taquaras da Mata Atlântica.
Os sinais clínicos observados na maioria dos casos de SPH são: febre alta, mal estar, adnamia, inapetência, mialgias e dor de cabeça, evoluindo para tosse seca, falta de ar e edema pulmonar. Como podemos observar são sintomas inespecíficos que podem facilmente serem confundidos com uma gripe que evolui para pneumonia, ou mesmo com Leptospirose. A mortalidade varia de 40% a 60%, sendo que alguns casos chegaram a 100%. Período de incubação varia de 6 a 42 dias.
A diferença entre a vida e a morte de um paciente é a rapidez no diagnóstico. Por isso é importante associar os sintomas com atividades de risco, tais como: Limpeza de paiol, debulhar milho estocado que possa estar contaminado com excretas de roedores, ter contato com roedores silvestres, cortar madeira em locais que possam ser freqüentados por roedores, etc. Em caso de suspeita pode-se realizar exames de sangue com contagem de plaquetas, onde estas, freqüentemente estão abaixo de 150.000 mm3 , indicativo de infecção por Hantavírus.
Também é recomendado realizar o diagnóstico diferencial de enfermidades como: Septicemia, Leptospirose, Viroses respiratórias, Pneumonia atípica, Histoplasmose Pulmonar e Pneumocistose. O diagnóstico definitivo é feita através de pesquisa de Anticorpos com a técnica de Elisa (Laboratório LACEN-SC) e com o isolamento e identificação da cepa viral (Instituto Adolfo Lutz –SP). Santa Catarina possui um programa de controle de Hantavirose, neste programa profissionais de saúde recebem treinamentos sobre esta enfermidade. Quanto a susceptibilidade e imunidade, aparentemente as pessoas sem dados sorológicos de infecção passada são uniformemente susceptíveis e não existe relatos na literatura de reinfecção em humanos.
A melhor maneira de prevenir a Hantavirose é evitar o contato com roedores silvestres. Adotando medidas como:
1. Controlar a infestação de ratos, principalmente em áreas rurais e periurbanas.
2. Evitar o contato físico com estes roedores ou com suas excretas.
3. Ao entrar em um local ou mesmo antes de usar maquinários que ficaram muito tempo parados, deve-se arejar o ambiente.
4. Evitar levantar poeira em locais fechados que possam estar infestado de roedores, como exemplo um paiol ou celeiro. O ideal é molhar o chão para que não levante poeira.
5. Para limpeza destes locais, use bota de borracha e luvas molhando o chão com solução contendo 3 colheres de água sanitária para cada 3,5 litros de água.
6. Uso de proteção respiratória (máscara com filtro) em atividades rurais que provoquem a inalação de poeira.

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