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Saga da abelha africanizada no Brasil completa 70 anos e ganha síntese histórica

Sete décadas da abelha africanizada marcam avanços e desafios na apicultura


Foto: Eugênia Ribeiro

O processo de africanização das abelhas Apis mellifera no Brasil, que completa sete décadas em 2026, é o tema central de uma publicação lançada pela Embrapa Meio-Norte. A obra "Aspectos históricos da abelha africanizada e seus impactos na apicultura brasileira" oferece uma visão abrangente sobre como o país converteu o que era inicialmente percebido como uma ameaça em uma atividade produtiva sólida e de referência mundial.

O material sistematiza a trajetória iniciada em 1956, quando rainhas da subespécie africana A. m. scutellata foram trazidas ao país pelo geneticista Warwick Estevan Kerr para um programa de melhoramento genético. O objetivo era criar uma "super-raça" que aliasse a produtividade africana à docilidade das abelhas europeias.

O documento relembra o "acidente" de 1957 em Rio Claro (SP), quando a retirada acidental de telas excluidoras permitiu o enxameamento de colônias africanas, dando início ao processo de hibridização na natureza. Os primeiros 15 anos foram descritos como "caóticos", marcados pelo medo da população diante do comportamento defensivo das abelhas — apelidadas pela imprensa da época de "abelhas assassinas" — e pelo abandono da atividade por muitos apicultores.

Contudo, o cenário de crise impulsionou avanços em pesquisa e novos métodos de manejo. Segundo a publicação, a africanização conferiu maior resiliência e capacidade adaptativa às colônias brasileiras. Os números comprovam a virada: a produção nacional saltou de cerca de 5 mil toneladas de mel anuais na década de 1950 para aproximadamente 67,3 mil toneladas em 2024. Em 2025, as exportações do produto geraram uma receita de US$ 116,5 milhões.

Além do sucesso econômico, o trabalho discute os desafios remanescentes, como o acentuado comportamento defensivo, a elevada tendência à enxameação e os impactos sobre as espécies nativas, que ainda são tema de investigação científica. O documento também destaca a importância dos serviços ecossistêmicos, observando que a receita gerada pela polinização pode ser até 48 vezes superior à da comercialização do mel.

A obra busca estimular a reflexão sobre o futuro da apicultura migratória, o melhoramento genético e a necessidade de políticas públicas de segurança e conservação. A publicação é voltada a pesquisadores, extensionistas, apicultores e formuladores de políticas públicas. Para ler o documento na íntegra e entender a história que moldou o campo brasileiro, faça o download gratuito, clicando aqui.

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