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Umidade favorece ferrugem do cafeeiro

Clima chuvoso exige atenção no cafezal

Foto: Pixabay

O avanço das chuvas e da umidade durante o período chuvoso aumenta o risco de ferrugem do cafeeiro nas principais regiões produtoras do país e exige planejamento antecipado dos produtores para evitar perdas de produtividade. A orientação é reforçada por especialistas em manejo fitossanitário, que recomendam o início do controle preventivo antes da intensificação dos focos da doença, especialmente em áreas produtoras da Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Rondônia e São Paulo.

A ferrugem do cafeeiro, causada pelo fungo Hemileia vastatrix, encontra nas condições típicas do período chuvoso um ambiente favorável para o avanço da doença. O aumento da umidade, o molhamento prolongado das folhas e as temperaturas amenas a quentes favorecem a disseminação do fungo e ampliam o risco de desfolha das plantas, comprometendo a formação e o enchimento dos grãos.

O manejo preventivo passa a ser considerado decisivo principalmente entre novembro e junho, período em que muitas lavouras entram em fases importantes do desenvolvimento produtivo. Técnicos alertam que esperar o surgimento intenso das pústulas alaranjadas nas folhas para iniciar as aplicações pode reduzir a eficiência do controle e aumentar as perdas na safra atual e na seguinte.

O fungo atua principalmente nas folhas do cafeeiro, reduzindo a área fotossintética da planta. O ciclo da doença começa com a produção de esporos nas folhas infectadas, que são disseminados pelo vento e pela chuva. Em condições favoráveis de umidade, o patógeno penetra nas folhas e passa a colonizar os tecidos vegetais até o aparecimento dos sintomas visíveis.

Entre os principais fatores que favorecem a ferrugem estão o aumento da umidade relativa do ar, o excesso de sombreamento nas lavouras e a presença de folhas e resíduos infectados remanescentes de ciclos anteriores. O cenário tende a ser ainda mais crítico em áreas com alta carga de frutos, já que a planta depende de maior área foliar saudável para garantir o enchimento adequado dos grãos.

As perdas provocadas pela ferrugem podem afetar diretamente a produtividade e o desenvolvimento das plantas. Entre os impactos mais observados estão a redução do enchimento dos grãos, o enfraquecimento do cafeeiro e a queda de produtividade na safra seguinte em razão da desfolha precoce e da menor formação de ramos produtivos.

Especialistas reforçam que a decisão sobre o início do controle deve considerar fatores como histórico da área, suscetibilidade da cultivar, condições climáticas e monitoramento frequente das plantas. O acompanhamento visual das folhas, especialmente nas regiões inferiores e médias da planta, é apontado como essencial para detectar os primeiros sinais da doença.

O planejamento do calendário preventivo envolve a definição do momento correto da primeira aplicação de fungicidas, geralmente no início da regularização das chuvas, quando a umidade permanece elevada por vários dias consecutivos. O objetivo é garantir que as folhas novas estejam protegidas antes do aumento da pressão da doença no campo.

Outro ponto destacado pelos técnicos é a necessidade de ajustar o intervalo entre aplicações de acordo com o comportamento climático e o nível de incidência da ferrugem na lavoura. Em períodos de chuva frequente e maior pressão da doença, o intervalo tende a ser reduzido. Já em cenários de menor umidade e baixa incidência, as aplicações podem ser mais espaçadas.

O manejo químico deve ser realizado com rotação de fungicidas e alternância de mecanismos de ação para reduzir o risco de resistência do fungo. O uso contínuo do mesmo ingrediente ativo é apontado como um dos fatores que podem comprometer a eficiência dos produtos ao longo do tempo.

Além das aplicações, o controle da ferrugem também depende da integração com outras práticas de manejo. A escolha de cultivares mais tolerantes, o equilíbrio nutricional das plantas, a realização de podas e a melhoria da circulação de ar dentro do cafezal são medidas consideradas importantes para reduzir a pressão da doença.

A orientação técnica reforça ainda que todas as aplicações devem seguir rigorosamente as recomendações de bula, receituário agronômico e legislação vigente. O uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), o armazenamento adequado dos produtos e o respeito aos intervalos de aplicação também são considerados fundamentais para garantir segurança operacional e eficiência no manejo fitossanitário.

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