Ameaça ao patrimônio do café brasileiro preocupa setor
Defesa do patrimônio científico e genético do café para manter a liderança nacional
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O presidente do Conselho Nacional do Café (CNC) Silas Brasileiro alerta para os riscos de iniciativas que possam comprometer o conhecimento científico e o patrimônio genético utilizados pela cafeicultura brasileira. Segundo Silas, esses ativos são estratégicos para manter o Brasil na liderança mundial da produção de café, com qualidade, produtividade, sustentabilidade e competitividade.
Segundo Silas, ações realizadas fora do contexto da produção, inclusive por outras unidades do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), podem comprometer a produção de café do Brasil. O dirigente cita como exemplo o recente entendimento entre o MAPA e o PROMECAFÉ.
Na avaliação do presidente do CNC, o Brasil não pode colocar em risco o conhecimento científico e o patrimônio genético construídos ao longo de décadas. Para ele, esses recursos são fundamentais para a manutenção da produção nacional e devem ser considerados inegociáveis em eventuais acordos ou iniciativas de cooperação.
Brasileiro também afirma que não se trata de uma simples troca de experiências com países que não apresentam o mesmo nível de desenvolvimento em pesquisa nem estão submetidos às mesmas legislações ambientais e sociais aplicadas aos produtores brasileiros.
Segundo o presidente do CNC, o princípio da reciprocidade também precisa ser considerado nessas discussões. Na avaliação dele, as diferenças regulatórias e de desenvolvimento científico impedem que determinados argumentos sejam utilizados em favor de pretensões que possam afetar ativos estratégicos da cafeicultura brasileira.
O conhecimento científico desenvolvido no país, segundo Brasileiro, está diretamente ligado à vantagem comparativa da cafeicultura nacional. Esse conhecimento encontra-se à disposição da produção por meio do banco ativo de germoplasma, considerado estratégico para a atividade e para a manutenção da capacidade produtiva.
Por isso, qualquer iniciativa que possa comprometer esse patrimônio representa, na avaliação do dirigente, um risco para a produção brasileira. Segundo Silas Brasileiro, a preservação desses recursos é necessária para que o país continue ocupando a posição de primeiro produtor mundial de café.
A preocupação também envolve os impactos econômicos e sociais da atividade. Segundo Brasileiro, a cafeicultura é um dos maiores geradores de emprego e renda do país e está presente em 17 estados e 1.983 municípios brasileiros, regiões que, conforme destaca, apresentam melhores índices de desenvolvimento humano (IDH).
A atividade também tem papel relevante na permanência dos produtores no campo. Segundo o presidente do CNC, a presença da cafeicultura contribui para evitar o êxodo rural e, consequentemente, o crescimento populacional desordenado nos centros urbanos e o agravamento de problemas sociais.
A cadeia reúne cerca de 330 mil produtores, sendo aproximadamente 78% pequenos cafeicultores, conforme os números apresentados por Brasileiro. O dirigente ressalta que a atividade envolve milhares de famílias e possui importância econômica e social que precisa ser considerada em decisões capazes de afetar o futuro da produção.
Para o presidente do CNC, manter o Brasil como maior produtor mundial de café exige a preservação dos instrumentos que sustentam a atividade. Entre eles estão o conhecimento, a ciência, a tecnologia e o patrimônio genético desenvolvido pelo país.
Segundo Silas Brasileiro, as lideranças da produção têm a responsabilidade de assegurar que o conhecimento científico brasileiro seja preservado e continue servindo de base para a cafeicultura nacional e para a manutenção da liderança do país no mercado mundial. O dirigente afirma ainda que o setor defende o diálogo e está aberto à construção de acordos bilaterais. A condição, porém, é que essas negociações preservem os interesses da cafeicultura brasileira e os elementos considerados essenciais para garantir a continuidade da produção.
Segundo Brasileiro, não se deve comprometer aquilo que permite ao país produzir atualmente e, principalmente, aquilo que será necessário para garantir a produção de café no futuro. "O conhecimento científico é um patrimônio estratégico do Brasil. Preservá-lo é uma condição para preservarmos a nossa cafeicultura", afirma Silas Brasileiro, presidente do Conselho Nacional do Café (CNC).