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Milho sobe em Chicago

Clima e câmbio movimentam mercado do milho


Foto: Nadia Borges

Os contratos futuros do milho iniciaram a semana em alta na Bolsa de Chicago, refletindo a preocupação do mercado com as condições climáticas no Meio-Oeste dos Estados Unidos. Segundo a análise "Direto do Campo", da Grão Direto, produzida pela Grainsights, as cotações avançaram mais de 13 pontos nesta segunda-feira (6), impulsionadas pelas temperaturas elevadas registradas na principal região produtora do país.

De acordo com a Grão Direto, o momento é considerado decisivo para as lavouras norte-americanas, que entram na fase de polinização. O calor intenso e a baixa umidade podem comprometer o potencial produtivo das áreas cultivadas. Apesar de as chuvas registradas em junho terem garantido uma reserva de umidade ao solo, o mercado segue atento à possibilidade de perdas caso o bloqueio atmosférico permaneça nos próximos dias.

No Brasil, as atenções estão voltadas para o avanço da colheita da segunda safra de milho. Conforme a análise da Grão Direto, estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam que cerca de 20% da área cultivada já foi colhida no país. Enquanto o Mato Grosso mantém ritmo acelerado nas operações, o Paraná enfrenta atraso devido ao frio e à umidade registrados nos últimos dias, situação que gera preocupação em relação à qualidade dos grãos. A entrada gradual do milho no mercado físico mantém os compradores abastecidos e contribui para pressionar as cotações regionais no curto prazo.

Além do avanço da colheita, o mercado acompanha os números consolidados de produtividade da safrinha. Segundo a Grão Direto, os resultados das áreas afetadas pela estiagem entre abril e maio, principalmente em Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul, serão determinantes para medir o tamanho das perdas da safra. Caso os prejuízos nas lavouras mais tardias sejam significativos, a tendência é de sustentação dos contratos futuros negociados na B3, limitando uma queda mais intensa dos preços ao longo do segundo semestre.

A comercialização do milho segue em ritmo inferior ao observado em anos anteriores. Conforme a análise, os produtores adotam postura cautelosa diante dos preços considerados pouco atrativos, preferindo aguardar melhores oportunidades ligadas ao câmbio ou às condições de mercado. Ao mesmo tempo, a demanda das usinas de etanol de milho em estados estratégicos continua oferecendo suporte aos preços em determinadas regiões.

No cenário macroeconômico, a Grão Direto destaca que o dólar iniciou a semana cotado acima de R$ 5,15, após registrar várias sessões consecutivas de desvalorização frente ao real. O mercado também acompanha as expectativas sobre a política de juros nos Estados Unidos, os desdobramentos das tensões geopolíticas e a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de junho, prevista para esta semana. Segundo a análise, diante da volatilidade cambial e da valorização das commodities em Chicago, o controle dos custos operacionais permanece como uma das principais estratégias para preservar a rentabilidade do produtor rural.

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