Pré-plantio exige atenção na escolha do milho
Ciclo e clima orientam escolha de cultivares
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A escolha do híbrido de milho antes da semeadura é uma das decisões que mais influenciam a produtividade e a estabilidade da lavoura. O planejamento realizado no período de pré-plantio, que varia entre junho e fevereiro conforme a região e o sistema de cultivo, deve considerar fatores como ciclo da cultivar, resistência a pragas e doenças, adaptação às condições climáticas e finalidade da produção. Em estados como Bahia, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Piauí, onde predominam o milho safrinha e períodos de veranico, a prioridade recai sobre híbridos tolerantes ao calor e ao déficit hídrico. Já no Paraná e no Rio Grande do Sul, a atenção se volta para materiais mais adaptados ao frio, às geadas e às doenças favorecidas pela umidade.
O pré-plantio corresponde ao período de planejamento que antecede a semeadura e engloba decisões sobre cultivares, época de plantio, correção e adubação do solo, manejo de plantas daninhas, pragas e doenças, além da definição do espaçamento e da população de plantas. A escolha do híbrido nessa etapa deve levar em conta a estabilidade de desempenho em diferentes anos, o ciclo da cultivar, a resistência às principais doenças da região e a adaptação ao regime de chuvas e temperaturas previsto para a janela de plantio.
Entre os principais critérios para selecionar híbridos está o ciclo da cultivar. Materiais superprecoces e precoces são indicados para escapar de períodos de seca ou geadas tardias e se ajustam melhor ao cultivo da segunda safra em estados como Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Já híbridos de ciclo médio e tardio costumam apresentar maior potencial produtivo em áreas de alta tecnologia, especialmente na safra de verão em estados como Paraná, Rio Grande do Sul e parte de Minas Gerais. A definição do ciclo deve estar alinhada ao risco de estiagem, geadas e ao calendário das culturas cultivadas antes e depois do milho.
Outro fator decisivo é a sanidade das cultivares. Materiais com maior resistência às principais doenças foliares tendem a manter melhor desempenho em diferentes condições climáticas e podem reduzir a necessidade de aplicações de fungicidas. Entre as enfermidades que merecem atenção estão a ferrugem polysora, a ferrugem comum, a mancha branca, a cercosporiose e as podridões de colmo e espiga. A recomendação é que o produtor consulte resultados de ensaios regionais para identificar híbridos com melhor comportamento frente às doenças predominantes em sua região.
A tolerância ao estresse hídrico e às variações de temperatura também deve ser considerada. Em regiões sujeitas à seca, como boa parte de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Bahia e Piauí, a preferência deve ser por híbridos com sistema radicular vigoroso e maior capacidade de suportar períodos de escassez de água. Já no Sul do Brasil e em áreas mais elevadas do Sudeste, a escolha deve priorizar materiais com maior vigor na emergência sob baixas temperaturas e ciclo ajustado para evitar que o florescimento coincida com períodos de geada.
A resistência a pragas e o uso de tecnologias de proteção representam outro ponto importante na definição da cultivar. A lagarta-do-cartucho, os percevejos e a cigarrinha-do-milho, transmissora dos enfezamentos, estão entre os principais desafios da cultura. A escolha do híbrido deve considerar o histórico de infestação da propriedade, a disponibilidade de estratégias de manejo integrado e a necessidade de adoção de áreas de refúgio para preservar a eficiência das tecnologias disponíveis.
A finalidade da produção também influencia a seleção das cultivares. Para produção de grãos, os critérios mais importantes são produtividade, estabilidade, peso dos grãos e sanidade das espigas. Na produção de silagem, destacam-se híbridos com maior produção de massa verde, elevada participação de espigas e boa digestibilidade da fibra. Já cultivares especiais, como milho-doce ou milho-pipoca, atendem nichos específicos e exigem materiais próprios.
Na Bahia, os híbridos devem apresentar ciclo precoce ou médio, boa tolerância ao calor e à seca, resistência às principais doenças foliares e boa resposta à adubação em áreas de plantio direto. Em Goiás, onde o sistema soja-milho safrinha predomina, materiais superprecoces ou precoces ajudam a reduzir o risco de estiagem durante o enchimento dos grãos e devem reunir resistência à seca, à mancha branca, às ferrugens e aos enfezamentos.
Em Mato Grosso, principal produtor de milho safrinha do país, o planejamento prioriza híbridos superprecoces, com elevada tolerância ao calor e ao estresse hídrico, resistência às doenças foliares e tecnologias voltadas ao controle de insetos. Em Mato Grosso do Sul, as recomendações seguem linha semelhante, com destaque para materiais precoces, boa sanidade de colmo e espiga e maior tolerância aos enfezamentos em áreas com histórico da doença.
Minas Gerais reúne diferentes ambientes de cultivo e exige estratégias distintas. Em regiões de altitude, híbridos de ciclo médio ou tardio podem ser explorados na safra de verão, desde que o florescimento não coincida com períodos frios. Nas áreas mais quentes e voltadas à segunda safra, a prioridade passa a ser materiais precoces e tolerantes à seca. O estado também concentra forte produção de silagem, o que amplia a procura por híbridos com alta produção de massa e bom valor nutritivo.
No Piauí, onde predominam áreas de Cerrado e condições de maior irregularidade nas chuvas, recomenda-se a utilização de híbridos adaptados ao calor, com resistência à seca, boa resposta à correção do solo e resistência às doenças mais frequentes em ambientes quentes. O desempenho em diferentes condições climáticas também deve ser considerado na escolha das cultivares.
No Paraná, a escolha varia conforme a época de cultivo e a região. Na safra de verão, híbridos adaptados ao frio e com ciclo compatível com o histórico de geadas oferecem maior segurança. Na safrinha, especialmente nas áreas de maior altitude, materiais mais precoces ajudam a reduzir riscos. Além disso, híbridos com boa sanidade foliar são importantes para enfrentar doenças favorecidas pelo clima úmido, enquanto áreas destinadas à silagem devem priorizar materiais com alta produção de massa e boa qualidade nutricional.
No Rio Grande do Sul, onde o milho é cultivado principalmente na safra de verão, o planejamento deve privilegiar híbridos com bom desempenho em temperaturas mais baixas durante a germinação e emergência, ciclo ajustado ao histórico climático de cada região e resistência às principais doenças foliares. Em sistemas integrados com pecuária, também ganham importância materiais com maior produção de palhada e aptidão para silagem.
Na prática, o processo de escolha do híbrido deve começar pela definição do sistema de produção e da finalidade do milho. Em seguida, é necessário avaliar o histórico climático da propriedade, consultar resultados de ensaios regionais, identificar as principais pragas e doenças da área, ajustar o ciclo da cultivar à janela de plantio, definir o manejo nutricional e, sempre que possível, diversificar os híbridos utilizados na fazenda para reduzir riscos associados ao clima, às pragas e às doenças.
Especialistas reforçam que a seleção das cultivares deve considerar as características específicas de cada propriedade, como tipo de solo, histórico de manejo, infraestrutura e capacidade de investimento, sendo acompanhada por um engenheiro agrônomo. Também destacam que a adoção de tecnologias deve respeitar a legislação vigente, as recomendações de manejo de resistência e o uso adequado de áreas de refúgio, enquanto as informações apresentadas têm caráter orientativo e não substituem a avaliação técnica realizada em campo.