Manejo da irrigação por gotejamento no tomate
Irrigação por gotejamento
Foto: Eliza Maliszewski
Existem basicamente três métodos de irrigação no tomate tutorado: aspersão, sulco e gotejamento. O uso da irrigação por aspersão não é recomendável, pois favorece o aparecimento de doenças foliares, além de lavar os produtos fitossanitários aplicados na parte aérea, o que pode provocar perdas significativas na produção e na qualidade dos frutos. A irrigação por sulco é pouco eficiente, pois apresenta perdas de até 40% de água por escoamento no final do sulco e por percolação profunda, além de ser um agente da erosão do solo, principalmente em áreas declivosas. Por outro lado, a irrigação por gotejamento é mais eficiente, pois nesse sistema se aplica água diretamente no solo, na linha de plantio, com economia de água e sem provocar o molhamento foliar. Devido a esse e outros fatores esse é o sistema recomendado para a irrigação no Sistema de Produção Integrada de Tomate (Sispit).
Adicionalmente ao sistema de irrigação por gotejamento, há necessidade de adoção de estratégias para o manejo adequado de água, de forma a racionalizar seu uso, minimizar o gasto de energia e reduzir a incidência de doenças e os impactos ambientais degradantes.
A irrigação localizada por gotejamento é a maneira indicada de se repor o consumo hídrico da cultura. As características desse sistema de irrigação são: a aplicação pontual da água no solo, a alta frequência de irrigação, a aplicação de pequenas vazões e, principalmente, a alta uniformidade de aplicação de água, alcançando alta eficiência. Com a aplicação pontual de água, somente uma parte do solo é molhada e há, por isso, uma redução na evaporação direta da água do solo devido à menor porcentagem de área molhada pelo gotejamento e de sombreamento da área molhada.
Para maximizar a produtividade e gerar um produto de excelente qualidade, é necessário o conhecimento das necessidades hídricas do tomate nas regiões em que é cultivado. Fatores como cultivar, estádio de desenvolvimento da cultura, espaçamento entre plantas, clima da região, entre outros, podem ser usados para definir as necessidades hídricas da cultura de tomate.
O aspecto mais importante relacionado ao manejo da água é a determinação da quantidade correta e o momento certo de realizar a irrigação para evitar que ocorra perda de água por percolação e lixiviação de nutrientes, impedindo que a planta expresse seu potencial produtivo, seja pelo excesso ou falta de água.
O manejo da irrigação, aliado às práticas agrícolas preestabelecidas pelo Sispit, constitui a base para a sustentabilidade do sistema produtivo. Um bom sistema de manejo da irrigação deve levar em consideração: época de plantio, espaçamento, características de desenvolvimento das culturas, sistema de irrigação, variáveis meteorológicas diárias, análises
fitopatológicas e entomológicas, adubação, plantas daninhas, manejo da cultura e colheita. Deve também observar a interação de todos os fatores de condução da cultura com as características de cada propriedade.
Diante disso, políticas públicas de uso dos recursos hídricos, juntamente com a utilização correta da irrigação de forma a manejar eficientemente a água e os fertilizantes, são essenciais para a manutenção do equilíbrio entre a produção agrícola e o meio ambiente. Dessa forma, o estudo de princípios básicos para a realização de um bom manejo de água e fertilizantes é imprescindível para a sustentação do ambiente produtivo.
Atualmente na região do Alto Vale do Rio do Peixe os produtores adotam um turno de regra fixo, variando de 1 a 3 dias. Por outro lado, raramente utilizam um sistema de monitoramento (tensiômetros, tanque classe ‘‘A’’ ou qualquer outro método de estimativa da necessidade hídrica) para a determinação da real necessidade de água da cultura de tomate. Geralmente, o monitoramento para se tomar a decisão da irrigação é feito de forma empírica, com observações visuais da umidade do solo, além da experiência dos técnicos e produtores, podendo superestimar ou subestimar a real necessidade de água pela cultura do tomate. Consequentemente, pode provocar danos indesejáveis como a salinização do solo, a lixiviação de nutrientes, a baixa produtividade, o aumento de doenças fúngicas e da qualidade inferior de frutos, além do desperdício de água.
Texto retirado do artigo: Sistema de produção integrada para o tomate tutorado em Santa Catarina
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