Escolha da área de cultivo e preparo do solo na cultura do tomate orgânico
Preparo do solo
Foto: Eliza Maliszewski
Para poder expressar seu potencial produtivo, o tomateiro necessita de solos bem estruturados, férteis, ricos em matéria orgânica e bem drenados. Em face dos tratos culturais específicos que exige, deve-se optar por terrenos planos ou ligeiramente inclinados, bem ensolarados e ventilados. O solo é a base de sustentação das plantas, sua estrutura e textura têm efeito direto sobre sua capacidade de infiltração, retenção da água e oxigênio necessários à vida e às reações químicas a ele relacionadas.
Se o cultivo do tomateiro se der no solo é preciso saber se a sua qualidade e localização permitem que as plantas cresçam e se desenvolvam de modo desejado, sejam elas cultivadas em campo ou em abrigo. As características químicas, físicas e biológicas dos solos devem ser consideradas antes da escolha da área para cultivo do tomateiro. Devem ser evitados solos de difícil drenagem ou sujeitos a enchentes, de topografia que dificulte o trabalho de máquinas, muito argiloso e pedregoso. Evitem-se, ainda, áreas com histórico de pragas relacionadas ao solo como nematoides, murcha-de-estenfílio, murcha-de-fusário e murcha-bacteriana. A fertilidade do solo e as suas características físico-químicas são conhecidas por meio de análise laboratorial. Para tanto, é importante que a amostragem seja tecnicamente realizada. Por isso, não se dispensa a presença ou as orientações de técnicos da área da Agronomia, os quais auxiliarão a interpretar os resultados e orientarão sobre as correções a serem feitas no solo.
Preparo do solo
Esta prática envolve um conjunto de atividades que tem como objetivo a preservação das características físicas, químicas e biológicas do solo, pela qual se buscam condições ideais para o crescimento e desenvolvimento das plantas.
O plantio do tomateiro pode ser em sistema de plantio direto ou em manejo convencional do preparo do solo.
O sistema de plantio direto consiste na mobilização mínima do solo, permitindo que os fertilizantes sejam incorporados pelo sulco de plantio das mudas ou aplicados sobre a superfície. Há diferentes formas de plantio direto do tomateiro, sendo a mais comum realizada sobre uma planta de cobertura, normalmente aveia tombada com auxílio de um ‘rolo’ de madeira tracionado por trator ou microtrator. Também pode ser realizado o revolvimento do solo apenas na linha de cultivo, deixando a planta de cobertura roçada ou tombada na entrelinha (Figura 26).

Esse sistema pode ser adotado dentro de abrigos de cultivo, onde pode ser subsequentemente implantado sobre a resteva de outra cultura. Nesse caso, com o fertilizante orgânico, também pode ser aplicado e incorporado somente na linha de plantio, ou somente na linha sem incorporação.
O sistema de plantio direto para o cultivo do tomateiro pode apresentar uma série de vantagens, como a preservação da matéria orgânica e seus inúmeros benefícios, a manutenção da estrutura e demais aspectos benéficos em relação à fertilidade do solo, além de reduzir o gasto com maquinário e mão de obra (Figura 27).

O manejo convencional de preparo do solo consiste em lavração com 20 a 25cm de profundidade, seguida de gradagens e/ou rotativação. As enxadas rotativas, quando usadas, devem ser em baixa rotação para não desestruturar o solo.
Tal prática é considerada uma das mais importantes no manejo do solo, pois o uso excessivo de máquinas e implementos inadequados degradam o solo rapidamente. É, pois, necessário usá-lo com racionalidade para não perder e até aumentar o seu potencial produtivo. Além disso, o preparo de solo é feito com o objetivo de facilitar o plantio, garantir um melhor crescimento das raízes, eliminar plantas concorrentes, incorporandoas ou não ao solo. A identificação do ponto certo de umidade no solo para iniciar o seu preparo é importante para assegurar um funcionamento adequado e econômico da máquina e do implemento empregado e para a obtenção de um resultado satisfatório. Em solos muito úmidos não se recomenda fazer o preparo. Deve-se aguardar o melhor momento para realizá-lo, com o solo no estádio friável, que é reconhecido tomando-se um punhado de solo a cerca de 5 a 10cm de profundidade e comprimindo-o na mão. A friabilidade é constatada se a porção de solo puder ser facilmente moldada, mas se esfarelar com facilidade tão logo cesse a força sobre ela.
Para cada tipo de solo haverá a necessidade ou não do uso de arado ou somente da enxada rotativa. Se o solo for muito argiloso e estiver compactado, recomenda-se o uso do arado no preparo. Em solos arenosos somente a enxada rotativa é suficiente.
Entre as desvantagens do preparo convencional do solo, destacam-se: o solo fica mais tempo descoberto e exposto à erosão; ocorre maior perda de água; diminuição da matéria orgânica; formação de camada compactada (pé-de-arado); elevação da temperatura do solo; maior consumo de energia e desequilíbrio da biologia do solo.
Texto retirado do artigo: Tomatorg: Sistema Orgânico de Produção de Tomates em Santa Catarina
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