Como controlar a broca-do-colo (lagarta elasmo) no trigo?
Leia tudo sobre as características e o controle da broca-do-colo (lagarta elasmo) no trigo!
Foto: Canva
As brocas são insetos cujas larvas se alimentam perfurando uma galeria e penetrando nas plantas. No trigo, como praga podemos destacar a broca-do-colo (Elasmopalpus lignosellus), também conhecida como lagarta elasmo, a broca-da-cana (Diatraea saccharalis), a broca-da-coroa-do-azevém (Listronotus bonariensis) e a larva-alfinete (Diabrotica speciosa). Essas espécies apresentam desenvolvimento holometabólico (ovo-larva-pupa-adulto), ocorrem em todas as regiões do país e em diversas outras culturas além do trigo, podendo causar danos significativos.
Características da broca broca-do-colo (Elasmopalpus lignosellus)
A broca-do-colo / lagarta elasmo é uma espécie polífaga, ou seja, pode se alimentar de diversas espécies de plantas como trigo, arroz, feijão, soja, milho e sorgo, dificultando o seu controle. Possui um desenvolvimento holometabólico, passando por estágios de ovo, larva, pupa e adulto. A larva possui uma cor marrom-esverdeada, com faixas claras e escuras, apresentando um aspecto anelado. Atingem aproximadamente 2,0 cm de comprimento e podem durar entre duas e quatro semanas, dependendo do clima (quando ocorrem altas temperaturas, o ciclo de vida da broca é mais curto). O adulto é uma mariposa com aproximadamente 1,5 cm de comprimento e 2,0 cm de envergadura, com cor parda-acinzentada, que se camufla nos restos culturais.

Elasmopalpus lignosellus - fêmea. (Foto: Ivan Cruz - Embrapa Milho e Sorgo)

Lagarta-elasmo completamente desenvolvida. (Foto: Ivan Cruz - Embrapa Milho e Sorgo)
Este inseto pode ser encontrado em todas as regiões do país, causando grandes infestações quando ocorrem longos períodos de estiagem, temperaturas médias relativamente altas e/ou solos arenosos.
As fêmeas podem colocar cerca de 100 ovos, em média, nas folhas, junto à base das plantas, no solo ou em restos culturais. Destes ovos surgem as larvas, que irão raspar o tecido da planta, penetrando posteriormente no colo, se alimentando e criando galerias ascendentes no colmo. As larvas podem durar de 17 a 42 dias e, em média, pode ocorrer uma geração a cada 30 a 40 dias. Junto ao orifício, as lagartas constroem um abrigo com partículas, aderido à planta, para se refugiar quando não estão se alimentando.
No trigo, a broca-do-colo pode ser uma praga em plantios sem irrigação em locais com temperaturas mais altas e invernos pouco rigorosos. O inseto surge desde a emergência até o afilhamento, causando os danos mais severos após a emergência, sendo mais intensos quando já haviam na área larvas desenvolvidas em outras plantas hospedeiras.
Sintomas e danos da broca-do-colo no trigo
As larvas raspam os tecidos das plantas, posteriormente penetram na região do colo e vão broqueando uma galeria ascendente no colo, se alimentando do tecido vegetal e provocando uma murcha e, posteriormente, podendo causar a morte da planta. Uma larva pode danificar aproximadamente sete plântulas de trigo. A broca-do-colo pode estar presente desde antes da emergência da planta até a fase de afilhamento. Os danos mais prejudiciais são causados logo após a emergência, principalmente quando já existiam larvas desenvolvidas na lavoura oriundas de outras plantas hospedeiras. Infestações originadas de postura durante ou plantio ou até após a emergência também podem causar danos quando as condições climáticas são favoráveis à praga.
Controle da broca-do-colo no trigo
Geralmente as brocas são pragas secundárias no trigo, não sendo o principal alvo das ações de controle. Assim, não existem níveis de ação definidos para se definir uma tomada de decisão do controle na cultura. Porém, em caso de necessidade, o uso de defensivos deve ser feito dentro do manejo integrado de pragas, com produtos registrados para a espécie, seguindo as normas da bula.
A alta umidade do solo é um fator abiótico que controla a lagarta elasmo, principalmente na fase larval. Conforme a lagarta cresce, a mortalidade diminui. Além disso, na fase adulta, as mariposas preferem colocar seus ovos em solos mais secos. O plantio direto, por criar um microclima no solo com maior umidade e temperatura mais amena, prejudica o desenvolvimento da broca-do-colo. Além disso, o plantio direto influencia diretamente no comportamento da lagarta e na presença dos inimigos naturais da lagarta.
A rotação de culturas não é tão efetiva para o controle desta espécie, pois se trata de uma praga polífaga, que possui diversas plantas hospedeiras, cultivadas e não cultivadas.
Anderson Wolf Machado - Engenheiro Agrônomo
Referências:
BORÉM, A.; SCHEEREN, P. L. Trigo: do Plantio à Colheita. [S. l.]: Universidade Federal de Viçosa, 2015.
PIRES, J. L. F.; VARGAS, L.; CUNHA, G. R. da. Trigo no Brasil: bases para produção competitiva e sustentável. [S. l.: s. n.], 2011.
Salvadori, José & Marsaro Júnior, Alberto & Suzana-Milan, Crislaine & Lau, Douglas & Engel, Eduardo & Pasini, Mauricio & Pereira, Paulo. (2022). Pragas da cultura do trigo.