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Saiba tudo sobre a virose do nanismo amarelo no trigo!

Leia tudo sobre o nanismo amarelo do trigo e o seu controle.


Foto: Divulgação

Os cereais de inverno podem sofrer o ataque de diversas viroses, sendo, as mais importantes no Brasil:

  • Nanismo amarelo da cevada - causado por mais de uma espécie dos vírus Barley yellow dwarf virus (BYDV) e Cereal yellow dwarf virus (CYDV)
  • Mosaico comum do trigo - causado pelo Soil-borne wheat mosaic virus (SBWMV).

 

Nanismo amarelo no trigo

O nome da virose (nanismo amarelo da cevada) decorre do fato de que a descrição original do vírus aconteceu a primeira vez na cevada. É causado por mais de uma espécie dos vírus Barley yellow dwarf virus (BYDV) e Cereal yellow dwarf virus (CYDV). Os sintomas desse vírus são a redução do crescimento da planta (nanismo) e um amarelecimento das folhas. Este vírus pode ser causado por várias espécies, infectando diversos cereais de inverno, incluindo o trigo, limitando a produção de grãos. Já houve casos, na década de 60 e 70, perdas de 80% ou até mais para quase 90% das variedades de trigo. Atualmente, as perdas em parcelas inoculadas oscilam entre 30% e 60%.

 

Sintomas do nanismo amarelo no trigo

Os sintomas típicos são a redução do crescimento das plantas (nanismo), reduzindo também o número de afilhos, massa foliar e radicular, e a cor amarelada do limbo foliar, que ocorre do ápice para a base da folha. Dependendo da cultivar de trigo, podem ocorrer cores avermelhadas. Além disso, o limbo foliar pode ficar pontiagudo e mais rígido. Estas alterações diminuem o desenvolvimento da planta, que irá ser mais suscetível a outros problemas do meio como o déficit hídrico. Ocorre também, por consequência, a redução da produtividade, diminuindo o número e peso de grãos. Os sintomas geralmente ocorrem em grupos de plantas (reboleiras), devido à área de dispersão do afídeo que transmite o vírus. A infecção causará mais danos quanto mais cedo ocorrer.


Sintomas de amarelecimento em folhas de trigo causados por BYDV-PAV. (Foto: Douglas Lau, Embrapa Trigo).

 

Insetos vetores e disseminação do nanismo amarelo:

As estirpes dos vírus que causam o nanismo amarelo foram identificados conforme a espécie de afídeo vetor:

  • Rhopalosiphum padi - RPV
  • Rhopalosiphum maidis - RMV
  • Sitobion avenae - MAV
  • Schizapis graminum - SGV
  • Rhopalosiphum padi, Sitobion avenae e outros - PAV

No Brasil, ocorre a predominância das estirpes PAV e MAV.

Para que o vírus se dissemine, é necessária a presença das plantas hospedeiras e do afídeo vetor, que se alimenta da seiva de uma planta infectada, adquire o vírus, e o transmite ao se alimentar de uma planta sadia. O vírus não é transmitido à sua progênie. Além disso, o vírus não é transmitido por qualquer outra forma, como sementes ou solo.

Durante o inverno, os afídeos vetores migram das gramíneas infectadas para gramíneas sadias, transmitindo a doença. 

 

Diagnóstico e controle do nanismo amarelo no trigo

A presença dos pulgões vetores do vírus, bem como a presença de sintomas nas plantas e distribuição de plantas doentes no campo (reboleiras) são indícios da ocorrência do vírus do nanismo amarelo. Para confirmar o diagnóstico, pode ser feito o teste sorológico (ELISA), ou um diagnóstico mais preciso por RT-PCR.

O controle cultural busca eliminar as "pontes verdes" (reservatórios do vírus e de seu vetor), que servem como fontes de inóculo. O controle do vetor diminui a incidência do vírus bem como dos danos físicos causados na planta, podendo ser feito através de controle químico, biológico e/ou resistência genética:

  • Controle biológico - é feito com espécies de micro vespas. Este controle possui bastante sucesso no Brasil;
  • Controle químico - pode ser feito no tratamento de sementes e/ou em aplicações após a implementação da cultura, conforme a população do afídeo. Geralmente é feito quando:
    • Houver 10% ou mais de plantas infestadas por S. graminum  na amostragem direta da emergência ao afilhamento;
    • Houver 10 ou mais afídeos por afilho para R. padi M. dirhodum (contagem direta da elongação ao emborrachamento);
    • Houver 10 ou mais afídeos por espiga para S. avenae (contagem direta do espigamento ao grão em massa).
  • Resistência / tolerância - alguns genótipos de trigo podem ser fontes de resistência e tolerância para serem usados em programas de melhoramento.

 

Anderson Wolf Machado - Engenheiro Agrônomo

 

Referências:

BORÉM, A.; SCHEEREN, P. L. Trigo: do Plantio à Colheita. [S. l.]: Universidade Federal de Viçosa, 2015.

PIRES, J. L. F.; VARGAS, L.; CUNHA, G. R. da. Trigo no Brasil: bases para produção competitiva e sustentável. [S. l.: s. n.], 2011.

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