Aspectos gerais da semeadura do trigo
Leia sobre aspectos gerais a serem considerados na semeadura do trigo.
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A população de plantas, apesar de parecer uma decisão simples, é relacionada com diversos fatores de produção, custos da lavoura, conhecimento da cultivar etc. A escolha da população deve ser feita com racionalidade e conhecimento do que está sendo utilizado, dos recursos disponíveis, do cenário local e o resultado que se busca alcançar.
O arranjo das plantas na lavoura é determinado pelo espaçamento entre linhas, pela população de plantas na linha (densidade de semeadura), pelo vigor e poder germinativo das sementes e pelas perdas causadas por pragas e doenças, que irão determinar a área disponível para cada planta. Outros fatores também podem influenciar, como competição com plantas daninhas, disponibilidade e aproveitamento de água, luz e nutrientes, problemas fisiológicos como estiolamento e acamamento etc. Todos esses fatores influenciam no arranjo de plantas, influenciando diretamente o potencial de rendimento do trigo.
A plasticidade do trigo também deve ser considerada. Essa característica pode resultar em altos rendimentos em uma ampla faixa de plantas. A produção de afilhos faz com que a cultura consiga ocupar espaços vazios entre as plantas.
Alguns produtores, com medo de correr riscos por baixa população de plantas, usam uma densidade excessivamente elevada, que acaba aumentando os custos de produção, riscos de acamamento e doenças. Já a densidade muito baixa
O planejamento do arranjo de plantas na lavoura deve ser feito com antecedência, considerando todo o manejo e equipamentos utilizados para a semeadura. Existem semeadoras com diversas configurações de cultivo, sempre observando também a eficiência desta em romper o solo, precisão, versatilidade e uniformidade da semeadura.
A regulagem da semeadora pode ser feita de duas formas diferentes:
- Máquina parada (roda suspensa): suspende-se a roda motriz, define-se o seu perímetro, gira a roda pelo número de voltas (geralmente 10 voltas) que corresponde, em distância, à coleta estabelecida.
- Máquina em movimento: é estabelecido um deslocamento para a coleta (geralmente adota-se 50 metros).
Em ambos os casos, a coleta é pesada, verificando se está em conformidade com a dose pretendida.
Escolha da cultivar adequada de trigo
A escolha de uma cultivar é uma parte essencial que irá definir todo o manejo para a cultura, bem como a produtividade final. Existem diversas cultivares de trigo registradas no MAPA, com diversas características diferentes, representando uma grande diversidade de opções, permitindo escolher cultivares que mais se adaptem a cada cenário de produção, considerando o sistema produtivo, nível de tecnologia e capacidade de investimento.
Podemos observar o impacto da escolha certa da cultivar em alguns estudos. Pires et al. (2009), mostrou em um estudo que apenas a escolha da cultivar pode resultar em ganhos por hectare que variam de R$ 4,00 a R$ 399,00 por hectare em um ano favorável, e de R$ 311,00 a até um prejuízo de R$ 47,00 em um ano desfavorável à produção.
Anderson Wolf Machado - Engenheiro Agrônomo
Referências:
PIRES, J. L. F.; SANTOS, H. P. dos; SCHEEREN, P. L.; MIRANDA, M. Z. de; DE MORI, C.; CASTRO, R. L. de; CAIERÃO, E.; PILAU, J. Avaliação de cultivares de trigo em diferentes níveis de manejo na região do Planalto do Rio Grande do Sul. Passo Fundo: Embrapa Trigo, 2009. 23 p. html (Embrapa Trigo. Boletim de pesquisa e desenvolvimento online, 74).