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Atenção ao Mar Negro enquanto preço do trigo recua em Chicago

Preço do trigo cai para US$ 6,82 em Chicago


Foto: Canva

A cotação do trigo recuou no fim de setembro em Chicago, mesmo com estoques menores nos Estados Unidos e atraso no plantio da safra de inverno. Segundo dados divulgados pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (CEEMA), o mercado também acompanha as exportações norte-americanas e as negociações envolvendo o transporte de grãos no Mar Negro.

O trigo para o primeiro mês cotado em Chicago despencou no fim de setembro e chegou a US$ 6,75 por bushel, após alcançar US$ 7,67 em 28 de agosto. No dia 1º de outubro, o fechamento ficou em US$ 6,82 por bushel, ante US$ 7,07 uma semana antes. A média de setembro foi de US$ 7,18, alta de 6,2% em relação à média de agosto. Nos últimos três meses, entre julho e setembro, o preço médio do trigo subiu 21,9% em Chicago. Em setembro de 2025, a média havia sido de US$ 5,13 por bushel.

Em 12 meses, a média da cotação do trigo acumulou alta de US$ 2,05 por bushel na Bolsa. Segundo dados divulgados pela CEEMA, esse movimento também ajudou a puxar para cima as cotações do milho e da soja.

Os estoques trimestrais de trigo nos Estados Unidos, na posição de 1º de setembro, recuaram 14% em relação ao mesmo período do ano passado. O volume ficou em 50,3 milhões de toneladas. Apesar da redução dos estoques, a cotação do trigo recuou no mesmo dia para o menor nível desde 18 de agosto.

O plantio do trigo de inverno nos Estados Unidos alcançou 27% da área esperada até 27 de setembro. O percentual ficou abaixo da média histórica para a data, de 34%. Entre as áreas semeadas, 8% já haviam germinado, contra 11% na média histórica. O atraso no plantio ocorre enquanto o mercado acompanha as condições da nova safra norte-americana e os demais fatores que influenciam a oferta mundial do cereal.

Na semana encerrada em 24 de setembro, as exportações de trigo dos Estados Unidos somaram 311 mil toneladas, dentro das expectativas do mercado. No acumulado do atual ano comercial, iniciado em 1º de junho, os embarques chegaram a 6,3 milhões de toneladas. O volume é 34% menor que o registrado no mesmo período do ano anterior, segundo dados divulgados pela CEEMA.

Um dos principais fatores relacionados ao recuo da cotação do trigo nesta semana foram os esforços diplomáticos para reduzir as interrupções nas exportações de grãos pelo Mar Negro, provocadas pela guerra entre Rússia e Ucrânia. Os dois países são importantes fornecedores de grãos no mercado internacional. A possibilidade de avanços para restabelecer o transporte marítimo influencia as expectativas sobre a oferta disponível.

Segundo dados divulgados pela CEEMA, o presidente ucraniano teria afirmado que Índia, Turquia, Egito e outros países do Oriente Médio participavam de negociações para desbloquear o transporte marítimo. A Turquia apresentou propostas a Moscou sobre a segurança do transporte marítimo. No entanto, não havia negociações substantivas em andamento, conforme a Interfax. A Sovecon também apontou que Turquia, Ucrânia e outros países apresentaram propostas, mas não havia sinais de acordo por parte da Rússia nem de progresso significativo para restabelecer o transporte marítimo.

Além das questões relacionadas ao Mar Negro, as cotações do trigo sofreram pressão com as perdas iniciais dos futuros de milho e soja. O movimento ocorreu depois que a reunião entre os presidentes dos Estados Unidos e da China não apresentou anúncios concretos sobre compras adicionais de soja pela China. O cenário mantém o mercado de grãos atento aos estoques, ao avanço das lavouras, ao comércio internacional e às negociações que podem alterar o fluxo de produtos no mercado mundial.

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