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Exportação de carne suína bate recorde histórico em março, mas mercado interno registra queda de preços

Exportações recordes de suínos em março contrastam com queda de preços internos


Foto: Embrapa - BIESUS, Luiza Letícia

O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, divulgou nesta quarta-feira (15) o Boletim do Suíno referente a março de 2026, apontando um cenário de contrastes para o setor no Brasil. Enquanto as exportações da proteína atingiram o maior volume da história, os preços no mercado doméstico operaram em queda, pressionados pela retração no consumo característica do período da Quaresma e por incertezas no cenário macroeconômico.

No mercado internacional, o desempenho brasileiro foi positivo. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) citados pelo Cepea, o Brasil exportou 152,2 mil toneladas de carne suína em março. Esse montante representa um aumento de 25,9% em relação a fevereiro de 2026 e de 32,7% na comparação com março de 2025. O resultado supera em 1,4% o recorde anterior da série histórica, registrado em setembro de 2025.

Internamente, no entanto, o setor enfrentou dificuldades. Além do menor consumo interno, fatores como as oscilações do dólar e a forte valorização do petróleo geraram instabilidade, afastando parte dos agentes de comercialização e limitando a liquidez no país.

Apesar do enfraquecimento dos preços, o cenário interno gerou uma vantagem para o consumidor. Como a carne suína ficou mais barata e a carne bovina registrou aumento no mês, a competitividade da carcaça suína frente à proteína de boi atingiu o maior patamar desde abril de 2022, em termos reais (descontada a inflação pelo IPCA de fevereiro de 2026).

Em relação aos custos de produção, os criadores enfrentaram dinâmicas mistas. O suinocultor paulista registrou a sexta queda mensal consecutiva em seu poder de compra em relação ao milho, reflexo da baixa liquidez do suíno vivo combinada à alta nos preços do cereal. Em contrapartida, a relação de troca tornou-se mais favorável em relação ao farelo de soja, beneficiada pela desvalorização do insumo no mesmo período.

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