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Desafios na logística da safra 2025/26 são discutidos

Encontro debateu infraestrutura e logística para a safra 2025/26 no Brasil


Foto: Arquivo Agrolink

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) participou, na quarta (17), de reunião da Câmara Temática de Infraestrutura e Logística (CTLOG) do Ministério da Agricultura e Pecuária para discutir os desafios para o escoamento da produção agropecuária brasileira.

Na abertura, o presidente da CTLOG e da Comissão Nacional de Logística e Infraestrutura da CNA, Mário Borba, destacou a importância de reunir entidades que contribuam com as discussões estratégicas visando melhorar a logística do país e facilitar a movimentação da safra.

Safra - Fabiano Vasconcellos, da Gerência de Acompanhamento de Safras da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), abordou as estimativas para grãos e algodão em pluma para a safra 2025/26.

Segundo ele, a produção brasileira de grãos está estimada em 358,6 milhões de toneladas, com a soja liderando com 180,3 milhões de toneladas, seguida pelo milho, cuja produção deve alcançar 140,5 milhões de toneladas, segunda maior safra da história.

Navegação – A apresentação do secretário nacional de Hidrovias e Navegação do Ministério de Portos e Aeroportos, Otto Luiz Burlier, foi outro assunto da reunião, que tratou das ações em andamento para garantir a navegabilidade em importantes corredores logísticos do país.

Entre as iniciativas estão o derrocamento do Pedral do Lourenço, no Pará, as dragagens dos rios Madeira, Amazonas, Solimões e Tapajós e outras intervenções voltadas para ampliar a utilização do modal hidroviário.

“Precisamos fazer investimentos e gerar previsibilidade para que os empresários possam planejar a curto e médio prazo como usar o modo de transporte”, afirmou.

Segundo o secretário, diante da previsão de ocorrência do fenômeno El Niño no segundo semestre, o governo está antecipando o planejamento das ações e das concessões em articulação com diversos órgãos, entre eles o DNIT e a Marinha. Burlier também defendeu maior participação da iniciativa privada na expansão dos serviços hidroviários.

Ele ressaltou que as concessões proporcionam ganhos ambientais, logísticos e sociais, com redução de emissões, maior eficiência no transporte, diminuição dos custos e estímulo ao desenvolvimento regional.

“É uma agenda positiva para todos, com monitoramento, gestão do tráfego e dragagens. É um desafio que enfrentamos para que todos os setores envolvidos entendam a importância dessas obras”, disse.

Durante a reunião, também foi abordada a revogação do Decreto nº 12.600/2025, ocorrida em fevereiro deste ano. A norma previa estudos para concessão e dragagem das hidrovias dos rios Tapajós, Madeira e Tocantins, mas foi cancelada após manifestações de povos indígenas e comunidades ribeirinhas.

 Na avaliação do secretário, apesar da insegurança jurídica gerada pelo episódio, a revogação do decreto não compromete, neste momento, a continuidade dos projetos.

Rodoviário - O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) também trouxe suas contribuições à Câmara com a apresentação do diretor de infraestrutura rodoviária, Fábio Nunes.

Ele falou sobre as condições da malha rodoviária federal e os principais gargalos para o escoamento da produção. Atualmente, aproximadamente 60% da produção agropecuária brasileira é transportada por rodovias, e a qualidade do pavimento influencia diretamente os custos de frete, as perdas de carga e a previsibilidade das entregas.

Segundo o DNIT, dos 55.934 quilômetros da malha federal, 74,7% das rodovias apresentam condição considerada boa, enquanto 14,5% são classificadas como regulares e 10,8% encontram-se em situação ruim ou péssima, o equivalente a 6.026 quilômetros.

O DNIT apontou ainda que os maiores problemas estão concentrados nos corredores do Arco Norte e da Transamazônica. A BR-230 (Transamazônica) possui 953 quilômetros em condições ruim ou péssima. Já a BR-163 concentra 156 quilômetros comprometidos, correspondentes a 23,3% do total da rodovia.

De acordo com o diretor, para enfrentar esses gargalos, o departamento possui uma carteira de 223 obras em construção que somam investimentos de R$ 29,28 bilhões.

Observatório - A Câmara Temática também recebeu Bruno Pinheiro, do Observatório de Infraestrutura de Transportes (IBI), que apresentou ferramentas voltadas ao monitoramento da logística nacional.

De acordo com ele, a plataforma reúne informações em tempo quase real provenientes de órgãos como a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), Comex e Serviço Geológico do Brasil.

Entre os projetos em desenvolvimento estão sistemas de agendamento automático de caminhões no Porto de Santos (SP) e o Índice de Estresse de Escoamento (IEE), ferramenta capaz de prever, com antecedência de duas semanas, a formação de filas nos corredores logísticos.

O observatório também desenvolve estudos sobre o chamado “custo silencioso da rodovia”, que estima em mais de R$ 1,5 bilhão os custos adicionais decorrentes da utilização do transporte rodoviário em trajetos onde alternativas ferroviárias poderiam ser empregadas.

“A ideia do observatório é influenciar decisões”, afirmou Bruno Pinheiro.

A reunião contou ainda com outras duas apresentações: uma sobre a Nova Rota do Oeste e o modelo de repactuação da BR-163, com Luciano Uchoa, que abordou a Troca de Controle Acionário (TAC), que trata da mudança do grupo controlador de uma concessionária sem necessidade de extinguir o contrato ou realizar uma nova licitação.

E outra sobre movimentação portuária, com a Vports Autoridade Portuária. A empresa oferece serviços nos terminais administrados pela companhia e segundo a representante Adriana Menezes, a empresa opera como um porto multipropósito, apto a receber e movimentar diferentes tipos de carga. Entre os produtos ligados ao agronegócio atualmente são movimentados fertilizantes e trigo.

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