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Uso do nitrogênio nos sistemas de produção combate impactos ambientais

No entanto, grau de volatilidade preocupa os pesquisadores


O nitrogênio é muito relevante para as pastagens e associado a um manejo adequado contribui para o aumento da produtividade das forrageiras e diminui os impactos ambientais resultantes da produção agropecuária. No entanto, o ciclo do nitrogênio apresenta um alto grau de volatilidade dentro desse sistema e isso preocupa os pesquisadores.


Durante o III Simpósio Internacional sobre Melhoramento de Forrageiras (SIMF) a questão da fixação biológica do nitrogênio ganha relevo. A maior preocupação entre os cientistas é a busca por novas estratégias para melhorar a absorção do nutriente nas forrageiras e no metabolismo dos animais.

Para o pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Robert Boddey, o impacto do nitrogênio na atividade agrícola e pecuária não apenas ocasiona um aumento na produção - mesmo que de modo relativo em alguns casos – mas em curto prazo o seu uso garante uma produção mais sustentável.

Na visão do cientista Boddey (Embrapa Agrobiologia), o sistema de culturas que utilizam leguminosas como cobertura em consócio com gramíneas proporcionam um acúmulo de carbono orgânico e nitrogênio no solo. Esse fenômeno favorece a inibição de gases de efeito estufa como o metano, bem como, permite que os níveis de matéria orgânica aumentem impedindo a degradação.

Contudo, a alternativa do consórcio com leguminosas não cessa a fuga do nitrogênio. Uma parte do nutriente se perde no processo, sobretudo, quando chega aos animais na ação nutritiva. Segundo o pesquisador do Institute of Grassland & Environmental Research, da Universidade Aberystwyth, Michael Abberton, o foco do melhoramento de forrageiras precisa ser integrado a zootecnia.


“Em termos da eficiência do nitrogênio tanto o melhoramento como o aspecto zootécnico devem trabalhar juntos. Devemos entender qual o caminho do nutriente no metabolismo do animal para identificar quais fatores devem ser melhorados na planta. Com isso, teremos mais carne e mais leite de qualidade”, ressalta Abberton.

O principal desafio na nutrição, como observa Abberton, é a dificuldade de os animais absorverem o nitrogênio. Existem bactérias no metabolismo do rúmen que impedem essa fixação e aí entra o melhoramento. Conforme os estudos de Abberton o uso de gramíneas com alto teor de carboidrato auxiliam nesse processo e diminuem a fuga do nitrogênio.

“Quanto mais alto o teor de carboidrato e proteína no ruminante melhor é para mitigar os impactos ambientais da pecuária. Os microorganismos que existem no rúmen fazem a quebra do carboidrato permitindo que o nitrogênio se fixe em maior quantidade”, disse.

Nesse cenário de estratégias, a fixação do nitrogênio nos sistemas agropecuários traduz-se em um esforço para reverter o cenário de degradação das pastagens. Problema que hoje no Brasil é um dos mais desafiadores, pois não só afeta o meio ambiente, mas atinge a capacidade produtiva do país.


O assunto foi debatido durante o III Simpósio Internacional sobre Melhoramento de Forrageiras (SIMF), realizado em Bonito-MS, pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa e parceiros, durante esta semana. O SIMF é voltado para acadêmicos e pós-graduados em ciências agrárias e biológicas, técnicos de empresas de pastagens, pesquisadores e professores da área de melhoramento genético vegetal e tem como tema desta edição “Melhoramento de forrageiras visando adaptação e mitigação de mudanças climáticas – produção animal eco-eficiente”.
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