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Manejo Integrado de Pragas de Grãos Armazenados

Perdas ocasionadas por pragas em grãos, desde a colheita e durante o beneficiamento e armazenagem, são muito freqüentes.

Perdas ocasionadas por pragas em grãos, desde a colheita e durante o beneficiamento e armazenagem, são muito freqüentes, e costumam ser a maior preocupação das equipes responsáveis pela manutenção dos estoques com a qualidade exigida pelo mercado. A presença das pragas causa restrições na comercialização de grãos, devido aos danos diretos nos grãos, por inviabilizarem os mesmos, e indiretamente pela contaminação das estruturas armazenadoras. As pragas de produtos armazenados são carreadores de esporos de fungos patogênicos, disseminando-os na massa de grãos, podendo prejudicar a viabilidade dos grãos, e conseqüente potencial de produção de micotoxinas nocivas ao homem envolvido neste processo de produção. A descrição, a biologia e os danos de cada espécie-praga devem ser conhecidos, para que seja adotada a melhor estratégia para evitar os respectivos prejuízos. Existem dois grupos principais de pragas que atacam os grãos armazenados, que são os besouros e as traças. Entre os besouros encontram-se as espécies: Rhyzopertha dominica, Sitophilus oryzae e Sitophilus zeamais. As espécies de traças mais importantes são: Sitotroga cerealella, Ephestia kuehniella e Ephestia elutella. Entre essas pragas, os besouros são as mais preocupantes economicamente e justificam a maior parte das medidas de controle a ser praticado nas unidades armazenadoras de grãos. Todas as pragas devem ser consideradas na prática de manejo integrado. Este preconiza o entendimento e adoção de algumas medidas simples de controle, mas de grande benefício para o armazenador, como limpeza e higienização, proteção dos grãos com inseticidas, tratamento curativo e o monitoramento das pragas. Detalharemos um pouco mais estas medidas de controle, que são parte essencial de um programa de Manejo Integrado de Pragas de Grãos Armazenados (MIPGRÃOS).

Medidas de Controle
As medidas de controle das pragas devem seguir o MIPGRÃOS em todas suas fases, que preconiza a eliminação dessas no produto armazenado. A integração dos métodos de controle das pragas é essencial para que o produto armazenado esteja sempre isento de pragas. Os métodos, preventivo químico, preventivo físico e método curativo, devem ser integrados para evitar ou no mínimo postergar o principal problema advindo de seu uso que é a resistência genética das pragas aos inseticidas. Estes podem ser detalhados em:
a) Medidas de limpeza e higienização da unidade armazenadora de grãos: o adequado uso destas medidas definirá o maior sucesso da meta preconizada. O uso de simples equipamentos de limpeza como, por exemplo, vassouras, aspiradores de pó nas moegas, túneis, passarelas, secadores, correias transportadoras, eixos sem-fim, máquinas de limpeza, elevadores etc. representam os maiores ganhos deste processo. A eliminação total dos focos de infestação dentro da unidade, como resíduos de grãos, poeiras, sobras de classificação etc., permitirão o armazenamento sadio. Após essa limpeza, o tratamento periódico da unidade com inseticidas protetores de longa duração, é uma necessidade para evitar a re-infestação das pragas.

b) Proteção dos grãos com inseticidas protetores: após limpa e seca, a grãos que ficará armazenada por um longo período, pode ser tratada preventivamente com inseticidas protetores, para garantir a eliminação de qualquer praga que venha a infestar o produto armazenado. Este tratamento deve ser realizado no momento de abastecer o silo ou no ensacamento, sempre após o beneficiamento, e pode ser feito na forma de pulverização na correia transportadora, com emprego dos inseticidas químicos líquidos, ou pelo polvilhamento com o inseticida natural a base de terra de diatomáceas. Este último é um inseticida proveniente de algas diatomáceas fossilizadas, resultando em pó seco de baixa granulometria, e que age no inseto por contato, causando a morte por dessecação. É importante que haja uma perfeita mistura do inseticida com os grãos, recobrindo-o totalmente.
c) Tratamento curativo: Sempre que for detectada a presença das pragas nos grãos, deve-se fazer o expurgo, usando o produto fosfina, que é o gás disponível para este tratamento e que elimina todas as fases da vida das espécies pragas. Esse processo pode ser feito em armazéns, silos, pilhas de sacarias ou câmaras de expurgo, sempre com vedação total do ambiente onde será liberado o gás. Deve-se observar o período mínimo de exposição de sete dias para controle de todas as fases das pragas, executando o expurgo na dose indicada da fosfina. A hermeticidade destes locais a serem expurgados é essencial para o êxito deste método de controle das pragas.

d) Monitoramento dos grãos armazenado: uma vez armazenados, os grãos devem ser monitorados, quanto à presença de pragas, durante todo o período em que permanecer estocado. O acompanhamento da ocorrência das pragas nos locais de armazenamento e nos grãos armazenados é de fundamental importância, pois permite detectar o início da infestação, e a tomada de medidas de controle imediato, sem que a qualidade final dos grãos seja afetada. Esse monitoramento tem por base um sistema eficiente de amostragem de pragas, e a medição das variáveis, como temperatura e umidade, que influem na conservação dos grãos. Este registra o início da infestação e direciona a tomada de decisão por parte do armazenador, a fim de garantir a qualidade dos grãos e de todo o processo de armazenamento.

Pesquisador da Embrapa, Centro Nacional de Pesquisa de Trigo (Embrapa Trigo), BR 285 km 294, Caixa Postal 451, 99001-970 Passo Fundo, RS. E-mail: [email protected] www.cnpt.embrapa.br/pesquisa/entomologia/mip
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