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Pós-colheita: como proteger o café no estoque

Cuidados no armazém preservam qualidade do café


Foto: Pixabay

A etapa de armazenamento tem papel fundamental na preservação da qualidade do café após a colheita. Mesmo quando a secagem e o beneficiamento são conduzidos corretamente, falhas dentro do armazém podem favorecer o desenvolvimento de fungos e a formação de micotoxinas, comprometendo a qualidade do produto e reduzindo seu valor de mercado.

Em regiões produtoras como Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Rondônia e São Paulo, é comum que o café permaneça armazenado por vários meses, muitas vezes entre maio e novembro, aguardando beneficiamento ou melhores oportunidades de comercialização. Nesse período, o controle da umidade, da temperatura e da limpeza das instalações torna-se decisivo para evitar perdas.

Segundo as recomendações técnicas, a principal medida de prevenção é garantir que o café entre no armazém apenas após atingir níveis seguros de umidade. “A contaminação por fungos e micotoxinas ocorre principalmente quando o grão entra no armazém com umidade alta, permanece em ambientes quentes, mal ventilados e com focos de sujeira e pragas”, destaca o material.

A preocupação é maior devido à presença de fungos como espécies dos gêneros Aspergillus e Penicillium, capazes de produzir micotoxinas. Entre elas, a ocratoxina A é considerada uma das mais relevantes para a cadeia cafeeira. A substância pode surgir tanto durante a secagem inadequada quanto durante o armazenamento em condições desfavoráveis e, uma vez formada, não é eliminada no beneficiamento.

A presença dessas toxinas pode provocar rebaixamento da classificação do café, perda de qualidade sensorial e até reprovação de lotes destinados a mercados mais exigentes. “Um café aparentemente bem seco e com bom aspecto pode ter sua classificação rebaixada e o preço cair significativamente se houver contaminação”, alerta o texto.

A prevenção começa antes mesmo da entrada do produto no armazém. Além da conferência da umidade, é necessário avaliar a uniformidade da secagem e observar possíveis sinais de mofo ou odores anormais. Lotes que apresentem grãos com alterações visíveis devem receber atenção especial.

Dentro das instalações, a limpeza é apontada como uma das principais barreiras contra a contaminação. A recomendação é remover completamente restos de café de safras anteriores, poeira, palhas e resíduos acumulados em pisos, paredes e estruturas. Também é importante corrigir infiltrações e eliminar pontos de umidade que possam favorecer o crescimento de fungos.

O controle de pragas também integra o conjunto de medidas preventivas. Roedores e insetos podem transportar microrganismos e aumentar os riscos de contaminação. Por isso, a vedação de frestas, o uso de armadilhas e a manutenção da área externa livre de resíduos são práticas recomendadas.

Outro fator considerado essencial é a ventilação. A circulação adequada de ar reduz a formação de bolsões de calor e umidade, além de minimizar problemas de condensação. “Mudanças bruscas de temperatura entre o interior do armazém e o ambiente externo podem levar à condensação de água sobre sacarias e estruturas metálicas”, informa o documento.

O empilhamento correto das sacarias e dos big bags também contribui para a conservação do produto. O uso de pallets ou estrados evita o contato direto com o piso, reduzindo a absorção de umidade. As pilhas devem permanecer afastadas das paredes e organizadas com corredores que facilitem a ventilação e a inspeção dos lotes.

No caso dos big bags, a orientação é armazenar apenas café já seco e monitorar constantemente a presença de manchas, odores ou sinais de umidade. Qualquer alteração deve ser investigada para evitar a propagação de problemas para outros lotes.

O monitoramento contínuo durante o período de armazenamento é considerado indispensável. Acompanhamentos periódicos da umidade do café, da temperatura do ambiente e de possíveis sinais de bolor ajudam a identificar problemas antes que eles causem prejuízos maiores. “O controle de fungos e micotoxinas não termina quando o café entra no armazém”, reforça o material.

As orientações também destacam a importância de integrar o manejo do armazém com as demais etapas da pós-colheita. Boas práticas na colheita, secagem uniforme e beneficiamento adequado reduzem a presença de grãos mais suscetíveis à contaminação e aumentam a segurança durante o armazenamento.

Quando houver necessidade de controle químico para pragas, a recomendação é utilizar apenas produtos registrados para essa finalidade, sempre seguindo rótulo, bula e receituário agronômico. O uso de equipamentos de proteção individual e o acompanhamento de profissionais habilitados também são apontados como medidas obrigatórias.

De acordo com o documento, a adoção dessas práticas permite reduzir significativamente os riscos de contaminação por fungos e micotoxinas, preservando a qualidade do café e evitando perdas econômicas ao longo do período de armazenagem.

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