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Café: evite perdas no plantio com cuidados na escolha das mudas

7 cuidados para começar um cafezal uniforme


Foto: Pixabay

O plantio do café entre outubro e março coincide, em grande parte das regiões produtoras, com o início e o avanço das chuvas. Nessa janela, escolher mudas de qualidade e adotar cuidados após o plantio são medidas importantes para favorecer o pegamento, o crescimento inicial e a longevidade do cafezal em estados como Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Rondônia e São Paulo.

Um plantio bem conduzido começa com solo corrigido e preparado, boa umidade e mudas de origem confiável, sadias e padronizadas. Também é importante evitar o plantio em condições de encharcamento e proteger as plantas nos primeiros meses contra sol, vento, formigas e períodos de falta de água. A escolha das mudas deve começar pela procedência. A recomendação é priorizar viveiros registrados e materiais provenientes de sementes ou clones certificados.

Também é necessário verificar se as cultivares ou clones são indicados para o tipo de café cultivado, seja arábica ou conilon/robusta, e para as condições de altitude, temperatura e regime de chuvas da propriedade.

A muda ideal apresenta formação equilibrada, sem estiolamento, com caule desenvolvido e colo compatível com a altura da planta. As folhas devem estar verdes e sem sinais relevantes de queima, manchas ou deformações. A sanidade também precisa ser observada. Mudas com manchas foliares suspeitas, murcha, deformações intensas ou encarquilhamento podem introduzir problemas na lavoura.

Quando for possível avaliar as raízes, elas devem estar firmes, bem distribuídas e sem partes escuras, moles ou apodrecidas. O substrato deve permanecer coeso ao retirar a muda, indicando bom enraizamento. Raízes enoveladas ou mal formadas podem aumentar a dificuldade de estabelecimento após o plantio.

Para o café arábica, comum em áreas de Minas Gerais e São Paulo, a escolha deve considerar a adaptação à altitude e à temperatura local. Também entram na avaliação a produtividade esperada conforme o nível tecnológico do sistema e a tolerância ou resistência a doenças importantes, como a ferrugem-do-cafeeiro.

Nas regiões produtoras de conilon ou robusta, como grande parte do Espírito Santo e de Rondônia, a escolha envolve clones ou materiais adaptados a temperaturas mais elevadas e altitudes menores. A resposta ao manejo de irrigação e adubação também deve ser considerada.

Um lote homogêneo contribui para a formação de um cafezal mais uniforme. Por isso, é importante buscar mudas com altura, espessura do caule e número de pares de folhas semelhantes. A grande variação entre plantas pode resultar em diferentes tamanhos e ciclos dentro da mesma lavoura, dificultando operações como adubação, poda e colheita. Além da escolha, o transporte e o manuseio também exigem cuidados.

Mudas devem ser transportadas, sempre que possível, longe de sol intenso e temperaturas elevadas. Também precisam ser protegidas do vento e do ressecamento. Ao chegar à propriedade, o ideal é mantê-las em local sombreado e ventilado, próximo das linhas onde serão plantadas.

Entre outubro e março, muitas regiões cafeeiras entram no período mais chuvoso, aumentando a disponibilidade de água no solo e criando condições favoráveis ao enraizamento e ao crescimento inicial.

O plantio deve ocorrer com umidade adequada em profundidade, sem excesso de água ou encharcamento prolongado. Em regiões de calor intenso, os dias mais quentes devem ser evitados sempre que possível, priorizando horários mais amenos. Já em áreas sujeitas a chuvas torrenciais, é importante evitar operações imediatamente antes de precipitações muito fortes, reduzindo riscos de erosão e compactação.

As covas ou sulcos precisam ter dimensões suficientes para acomodar o torrão sem dobrar as raízes. A muda deve ser posicionada com o colo no nível do solo ou ligeiramente acima. O enterrio excessivo pode favorecer problemas de podridão. Depois do plantio, o solo deve ser firmado ao redor do torrão para eliminar bolsões de ar, mas sem compactação excessiva. Quando necessário, a irrigação de pegamento pode ser realizada imediatamente após o plantio, principalmente quando a umidade do solo não estiver adequada.

Nos primeiros meses, as mudas ainda apresentam sistema radicular limitado e ficam mais vulneráveis ao sol, calor, vento, formigas, plantas daninhas e períodos curtos de estiagem.

Em regiões de alta insolação, o uso de sombrite individual ou pequenas estruturas de proteção pode reduzir o estresse térmico. Materiais como palha, folhas de palmeiras e sombrite em arco podem ser utilizados, desde que permitam circulação de ar e entrada de luz difusa. À medida que as plantas ganham vigor, essas proteções podem ser retiradas para evitar excesso de sombra.

Ventos fortes aumentam a perda de água pelas folhas e podem derrubar mudas recém-plantadas. Em áreas expostas, quebra-ventos vivos ou barreiras temporárias podem ajudar na proteção. O planejamento deve evitar sombreamento excessivo permanente sobre as linhas de café.

As formigas cortadeiras também exigem atenção desde antes do plantio. O produtor deve identificar e mapear formigueiros na área e nas proximidades. O controle deve ser orientado por profissional habilitado, com produtos registrados e seguindo bula e receituário agronômico. Depois do plantio, o monitoramento das linhas precisa continuar, especialmente nos períodos de maior atividade das formigas.

Mesmo durante a estação chuvosa, períodos sem chuva podem comprometer o pegamento das mudas, principalmente em solos rasos ou com baixa capacidade de retenção de água. Quando possível, a irrigação de salvamento pode ser utilizada em períodos críticos para umedecer a região das raízes.

Por outro lado, o encharcamento prolongado deve ser evitado, pois favorece doenças radiculares e problemas de asfixia das raízes. A cobertura morta também pode ajudar a conservar a umidade e reduzir as oscilações de temperatura do solo. A palhada deve ser mantida ao redor da muda sem encostar diretamente no caule. O controle de plantas daninhas é outro ponto importante. A competição por água, luz e nutrientes pode prejudicar o desenvolvimento inicial do cafezal.

Falhas na linha de plantio deixam espaços sem plantas e podem aumentar a competição com plantas daninhas. Uma margem de segurança no número de mudas ajuda a compensar perdas durante o transporte e o plantio. Mudas que sofrerem quebra grave do torrão ou danos durante o transporte devem ser descartadas antes do plantio. Após o pegamento, as falhas devem ser identificadas e marcadas. O replantio pode ser planejado ainda durante a mesma estação chuvosa, utilizando mudas do mesmo lote e padrão para reduzir a desuniformidade.

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