Plantio de soja avança, mas diferenças regionais preocupam
No Paraná, a semeadura atingiu 28%
No Paraná, a semeadura atingiu 28% - Foto: USDA
O plantio da soja na safra 2026/27 avança em ritmo ligeiramente superior ao registrado em anos anteriores no Brasil, mas as diferenças regionais e as condições climáticas exigem atenção. Segundo Ricardo leite, estrategista do agronegócio, os dados nacionais não indicam atraso generalizado, embora alguns estados apresentem ritmo inferior ao histórico.
Até 2 de outubro, o levantamento da Conab apontava 9,4% da área semeada nos estados monitorados, acima dos 8,2% observados no mesmo período da safra passada e da média de 8,8% das últimas cinco temporadas. Na comparação semanal, o índice subiu de 3,9% para 9,4%, avanço de 5,5 pontos percentuais.
No Paraná, a semeadura atingiu 28%, ante 26% no ano anterior. Mato Grosso do Sul apresentou avanço mais expressivo, com 15% da área plantada, contra 5% na safra anterior. Já Mato Grosso chegou a 14,4%, abaixo dos 15,6% de um ano atrás e da média histórica de 15%. Em Goiás, os 2% atuais superam o 1% anterior, mas ficam aquém da média de 2,8%.
O cenário ganha importância com a perspectiva de fortalecimento do El Niño. Boletim da NOAA de 8 de outubro aponta probabilidade superior a 83% de o fenômeno alcançar intensidade forte a muito forte entre janeiro e março de 2027. Para o trimestre de outubro a dezembro, projeções de INMET, INPE e outras instituições indicam maior chance de excesso de chuvas no Sul e restrição hídrica em parte do centro-norte.
“O atraso relativo observado em alguns estados ainda não equivale a perda de safra. Se persistir, porém, pode pressionar o calendário operacional, elevar a necessidade de replantio e afetar o planejamento das culturas seguintes. Para quem produz, comercializa ou financia o agro, acompanhar essas diferenças ajuda a dimensionar custos e necessidades de caixa ao longo do ciclo”, conclui.