Milho irrigado produz 4,5 vezes mais durante seca no PR
Fazenda registra ganhos de produtividade e amplia área irrigada para 318 hectares
Foto: Divulgação
A diferença de produtividade entre lavouras irrigadas e de sequeiro chegou a 116 sacas de milho por hectare em uma propriedade rural de Guaíra, no oeste do Paraná, durante a estiagem de 2023. Na Fazenda Bom Jesus, o fornecimento de água por pivôs permitiu colher aproximadamente 149 sacas por hectare, enquanto os trechos sem irrigação produziram apenas 33 sacas na mesma área de referência.
Os números foram apresentados pelo agricultor Paulo Adriano Ambiel, que conduz a produção na propriedade. O comparativo foi realizado dentro de um mesmo talhão, em condições semelhantes de cultivo, com utilização das mesmas sementes e dos mesmos insumos. A principal diferença entre as áreas foi o acesso à irrigação, que resultou em uma produtividade aproximadamente 4,5 vezes maior.
A experiência reforçou a decisão da família de ampliar os investimentos em sistemas de irrigação, iniciados em 2020. Na época, a estrutura contava com três pivôs e atendia 144 hectares. Com a instalação de novos equipamentos, a cobertura passou para aproximadamente 318 hectares, distribuídos entre cinco pivôs.
Atualmente, a área irrigada representa cerca de 32,6% dos 975 hectares cultivados pela operação. O crescimento da estrutura ocorreu em uma propriedade cuja atividade agrícola em Guaíra teve início em 1973.
A disponibilidade de água e as oscilações climáticas foram os fatores considerados para a implantação dos equipamentos. O abastecimento é realizado por meio de captação no Rio Paraná.
“O que motivou a instalação de pivôs foi a instabilidade climática, que cada vez está mais presente, e também a disponibilidade de água”, relata Ambiel.
Embora a diferença mais expressiva tenha ocorrido em 2023, os resultados apresentados pelo produtor mostram que a vantagem produtiva não ficou restrita àquele período de estiagem.
Em uma avaliação mais recente, duas cultivares de milho cultivadas sob irrigação registraram rendimentos de 404 e 409 sacas por alqueire. Convertidos para hectares, esses volumes correspondem a aproximadamente 167 e 169 sacas, respectivamente.
Na parte não irrigada do mesmo talhão, a média foi de 320 sacas por alqueire, equivalente a cerca de 132 sacas por hectare. Nesse caso, a produtividade nas áreas atendidas pelos pivôs ficou entre 26% e 28% acima da observada no sequeiro.
O agricultor destaca que a comparação foi realizada utilizando as mesmas variedades e práticas de manejo, o que permite observar a diferença registrada entre os dois sistemas de produção.
“O milho, depois que colocamos a irrigação, todos os anos produz mais que o sequeiro. Na soja também”, afirma.
Além dos equipamentos responsáveis pela distribuição de água, a propriedade utiliza recursos tecnológicos para acompanhar as condições das lavouras e auxiliar nas decisões relacionadas à irrigação.
Os cinco pivôs instalados são da Valley. A fazenda também utiliza a plataforma Valley Scheduling, integrada a uma estação meteorológica local, que fornece informações para orientar o manejo hídrico das culturas.
A estrutura conta ainda com acompanhamento técnico da Unimaq, revenda responsável pelo atendimento e suporte aos equipamentos. Segundo o produtor, a assistência contribui para a continuidade das operações e para a solução de eventuais problemas.
A experiência acumulada levou a família a avaliar uma nova etapa de expansão. Atualmente, existem projetos para implantação de mais dez pivôs, que estão em diferentes fases de documentação ambiental. Dois deles já receberam liberação nessa etapa, conforme as informações fornecidas pelo agricultor.
A ampliação planejada acompanha os resultados obtidos nas áreas que passaram a receber irrigação. Para Ambiel, conhecer o desempenho da tecnologia é importante para que outros produtores possam analisar sua utilização.