Oferta e demanda pressionam preços do feijão
Feijão segue em baixa com mercado retraído
Foto: Pixabay
A demanda reduzida por parte de atacadistas e varejistas segue limitando o ritmo dos negócios no mercado de feijão e contribuiu para mais uma semana de queda nos preços das variedades carioca e preta, conforme apontam os dados do Indicador Cepea/CNA.
No campo, as atenções dos produtores estão concentradas no avanço da colheita no Paraná, onde as instabilidades climáticas têm afetado a qualidade dos grãos. Ao mesmo tempo, seguem os trabalhos de colheita em Minas Gerais e Goiás.
O mais recente levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) trouxe perspectivas distintas para o setor. Enquanto as estimativas para o feijão carioca passaram por ajustes moderados, as projeções para o feijão preto foram novamente revisadas para baixo, indicando uma oferta mais restrita ao longo da temporada.
No mercado do feijão carioca de notas 9 ou superiores, os preços recuaram na maior parte das regiões monitoradas pelo Cepea. Segundo a análise, “o movimento refletiu o foco da indústria na comercialização dos estoques e a expectativa em relação à safra irrigada do Cerrado”.
Em Itapeva (SP), as cotações registraram queda de 12,08%, influenciadas pela oferta disponível e por compras pontuais. A exceção ocorreu em Curitiba (PR), onde os lotes de melhor qualidade apresentaram valorização de 1,55%, após as fortes retrações observadas nas semanas anteriores.
Para o feijão carioca de notas 8 e 8,50, os preços continuaram em queda nos últimos dias, especialmente para os lotes de qualidade intermediária. A entrada de produto oriundo do Paraná, afetado pelas geadas, ampliou a pressão sobre as cotações.
As maiores baixas foram observadas em Itapeva (SP), onde os preços recuaram 21,17%, no Sul e Sudoeste de Minas Gerais, com queda de 20,20%, e em Sorriso (MT), onde a retração chegou a 19,37% em razão da menor atuação das indústrias compradoras. No Leste Goiano, o recuo foi de 2,36%, enquanto no Distrito Federal os preços permaneceram estáveis, sustentados pela qualidade dos novos lotes.
No segmento do feijão preto Tipo 1, o levantamento da Conab indicou nova redução na estimativa de produção. O volume total foi revisado para 506,6 mil toneladas na projeção de junho, uma queda de 2,6% em relação à estimativa anterior. O resultado representa retração de 37,6% frente à safra passada, reflexo da redução de 35,4% na área cultivada e de 3,3% na produtividade.
A primeira safra de feijão preto deverá alcançar 208,8 mil toneladas, volume 36,8% inferior ao registrado na temporada anterior. Para a segunda safra, a estimativa é de 281,6 mil toneladas, representando retração de 39,2% após novo ajuste negativo. Já a terceira safra deverá totalizar 16,2 mil toneladas, resultado 9,5% menor que o obtido no ciclo anterior.
No cenário de abastecimento, a Conab projeta que, somando os estoques iniciais de 135,9 mil toneladas às importações estimadas em 21,6 mil toneladas, o suprimento nacional de feijão alcance 3,37 milhões de toneladas.
Mantidas as projeções de consumo interno em 2,7 milhões de toneladas e de exportações em 214,3 mil toneladas, o estoque final poderá atingir 288,5 mil toneladas, praticamente o dobro das 144,6 mil toneladas estimadas em maio.