Agricultura regenerativa avança no café
Avanço envolve produtores de 15 países
Foto: Divulgação
A agricultura regenerativa ganhou escala na cadeia global do café em 2025. Dados divulgados em coletiva de imprensa do Nescafé Plan mostram que 53% do café verde adquirido pelo programa veio de fazendas que adotam práticas regenerativas. O avanço envolve produtores de 15 países e busca fortalecer a produção diante das mudanças climáticas, com reflexos diretos também no Brasil.
O crescimento foi impulsionado pelo aumento do volume de café verde originado em propriedades com esse tipo de manejo e pela ampliação da assistência técnica no campo. Em 2025, mais de 100 mil produtores de café receberam capacitação em agricultura regenerativa, economia agrícola e temas sociais, com apoio de mais de 1.600 agrônomos e equipes de campo.
Entre as práticas adotadas estão sistemas agroflorestais, uso de plantas de cobertura, consórcio de culturas e otimização da fertilização. Essas medidas ajudam a melhorar a saúde do solo, apoiar a produtividade no longo prazo e abrir novas possibilidades de renda para os cafeicultores, especialmente em áreas mais expostas aos efeitos do clima.
Os dados também apontam redução de 18,3% nas emissões de gases de efeito estufa associadas ao café verde, em relação ao ano-base de 2018. O resultado reforça a ligação entre manejo regenerativo, eficiência produtiva e menor impacto ambiental na cafeicultura.
“Com mais de metade do nosso café verde proveniente de fazendas que adotam práticas de agricultura regenerativa em 2025, o Nescafé Plan alcançou um marco significativo”, afirmou Antje Shaw, Head Global de Sustentabilidade de Nescafé. “Esse resultado evidencia como estamos trabalhando em parceria com os produtores para escalar a agricultura regenerativa em toda a nossa cadeia de suprimentos de café. Nosso objetivo é apoiar os produtores nessa transição, fortalecer a resiliência às mudanças climáticas e contribuir para assegurar o acesso de longo prazo da Nestlé ao café, um dos principais vetores de crescimento da companhia.”
A renovação das lavouras também aparece como ponto estratégico. Cafeeiros mais velhos tendem a apresentar queda natural de produtividade e maior vulnerabilidade às mudanças climáticas, o que pode afetar os rendimentos. Em 2025, foram distribuídas 20,3 milhões de mudas de café a produtores parceiros ao redor do mundo, com foco em variedades mais resilientes a condições climáticas adversas e doenças.
No Brasil, o programa reúne mais de 3.800 fazendas nas principais regiões produtoras do país — Espírito Santo, Minas Gerais, Bahia e São Paulo. Com o apoio de 35 agrônomos, as propriedades recebem assistência técnica contínua em práticas voltadas à conservação do solo, da água e da biodiversidade. Atualmente, 100% das propriedades participantes estão inseridas na jornada de agricultura regenerativa.
Resultados do projeto local Café & Gestão indicam que fazendas com práticas avançadas de agricultura regenerativa alcançam maior produtividade e menor pegada de carbono. As iniciativas de capacitação também têm potencial para reduzir em até 40% o uso de fertilizantes e em até 20% os custos de produção.
Além da produção agrícola, os dados apresentados contemplam etapas como fabricação, distribuição, embalagens e impacto social. Em 2025, 98,6% da eletricidade consumida pelas fábricas de café da marca teve origem em fontes renováveis. O material também destaca ações voltadas aos direitos humanos nas comunidades produtoras, com processos de due diligence, desenvolvimento de fornecedores e parcerias no campo.
O avanço da agricultura regenerativa sinaliza uma mudança importante na cafeicultura: produzir com mais resiliência, menor impacto ambiental e maior eficiência econômica. Para o Brasil, que ocupa posição estratégica na produção mundial de café, a adoção dessas práticas tende a ganhar peso nas discussões sobre produtividade, sustentabilidade e competitividade no campo.