Biológicos reduzem pressão de custos no campo
Nesse contexto, os insumos biológicos aparecem como alternativa
Nesse contexto, os insumos biológicos aparecem como alternativa - Foto: Divulgação
A instabilidade internacional tem aumentado os riscos para a produção de alimentos e pressionado os custos no campo, sobretudo em cadeias dependentes de insumos importados. A avaliação é de Antonio Carlos da Silva Gonçalves, engenheiro agrônomo e gerente de marketing da Biotrop, que aponta guerras, sanções econômicas e problemas logísticos como fatores de impacto direto sobre a agricultura brasileira.
Segundo o especialista, o país importa cerca de 90% dos fertilizantes usados nas lavouras, o que amplia a exposição do produtor a choques externos. Conflitos recentes e tensões geopolíticas, como os da Ucrânia e do Oriente Médio, chegaram a provocar altas de até 120% em determinadas matérias-primas. Em algumas culturas, os fertilizantes representam mais de 50% do custo operacional, tornando o impacto rápido nas margens.
Nesse contexto, os insumos biológicos aparecem como alternativa para reduzir a dependência de agroquímicos, manter a eficiência produtiva e dar mais previsibilidade à gestão de custos. O Brasil conta com estrutura consolidada de fabricação de biológicos, além de empresas, instituições e profissionais voltados à pesquisa e ao desenvolvimento de soluções baseadas no solo, na microbiologia e na planta.
Biofertilizantes ajudam a ativar a biologia do solo, liberar nutrientes retidos e aumentar o aproveitamento do adubo aplicado. Microrganismos também podem produzir fitohormônios e favorecer a fixação biológica de nitrogênio, reduzindo a dependência de insumos influenciados pelo preço do gás e do petróleo.
“Nosso papel é estar ao lado do agricultor e oferecer soluções eficazes, que respeitam o meio ambiente e as pessoas. Em momentos de instabilidade global, como o atual, somam-se a esses fatores os desafios de custos. Os biológicos são produzidos localmente, utilizam insumos naturais e possibilitam manter a operação com previsibilidade econômica”, conclui.