Projeto amplia uso de etanol nos Estados Unidos
Representantes dos produtores de milho também defenderam a aprovação
Representantes dos produtores de milho também defenderam a aprovação - Foto: Divulgação (IA)
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou uma proposta que permite a venda do combustível E15 durante todo o ano no país. A medida amplia o uso de uma mistura com até 15% de etanol na gasolina e agora segue para análise do Senado norte-americano. O tema mobiliza entidades ligadas ao agronegócio e aos biocombustíveis, que defendem impactos positivos para produtores rurais, consumidores e para a segurança energética do país.
A chamada Lei Nacional de Escolha do Consumidor e do Varejista de Combustíveis foi retirada do projeto da lei agrícola aprovado pela Câmara no fim de abril. Segundo entidades do setor, a ampliação da comercialização do E15 pode aumentar a demanda por milho, principal matéria-prima do etanol nos Estados Unidos, além de reduzir custos para motoristas.
A American Coalition for Ethanol afirmou que a medida pode ajudar consumidores diante da alta dos preços dos combustíveis e contribuir para reduzir impactos de possíveis interrupções no fornecimento global de petróleo. A entidade também destacou o cenário econômico enfrentado pelos agricultores americanos, que convivem com queda de renda e aumento dos custos de produção.
Dados da Renewable Fuels Association indicam que o E15 já está disponível em mais de 4,8 mil postos de combustíveis nos Estados Unidos. A associação afirma que a mistura oferece economia de até 40 centavos de dólar por galão em relação à gasolina convencional. Nos últimos dias, o desconto médio em comparação ao E10, mistura padrão no país, superou 10%.
Representantes dos produtores de milho também defenderam a aprovação da proposta. A Associação Nacional de Produtores de Milho afirmou que a medida pode fortalecer economias rurais e ampliar o mercado interno para o cereal em um momento de sucessivos prejuízos no campo.
Por outro lado, a Associação Americana de Soja demonstrou preocupação com impactos negativos para produtores da oleaginosa. A entidade informou que análises recentes apontam possível redução da renda líquida agrícola devido às isenções previstas para pequenas refinarias no projeto. A associação afirmou que continuará buscando alternativas que permitam o uso do E15 sem prejuízos ao mercado da soja.