Déficit hídrico eleva perdas no milho na região de SEALBA
Milho entra em fase sensível sob baixa umidade
Foto: Agrolink
A semeadura do milho de terceira safra na região de SEALBA, que abrange Sergipe, Alagoas e Bahia, foi realizada entre o fim de abril e o início de maio, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Atualmente, as lavouras estão majoritariamente nas fases de florescimento e enchimento de grãos, consideradas as mais sensíveis à falta de água no solo. “Nessa fase, a deficiência de água no solo pode comprometer a polinização, a formação e o enchimento dos grãos, refletindo diretamente sobre o potencial produtivo das lavouras”, informou a Conab.
O monitoramento das condições hídricas tem sido feito pelo Sistema de Suporte à Decisão na Agropecuária (SISDAGRO), desenvolvido pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). De acordo com o instituto, a ferramenta acompanha diariamente o balanço hídrico da cultura e estima os impactos das condições meteorológicas sobre o potencial produtivo das lavouras. “A metodologia integra informações meteorológicas, características físico-hídricas do solo e parâmetros fisiológicos da cultura para estimar a evapotranspiração, o armazenamento de água no solo, o déficit hídrico e a perda potencial de produtividade ao longo do ciclo”, explicou o INMET.
Com base nessa metodologia, o INMET realizou simulações para o município de Pinhão, no oeste de Sergipe, considerado representativo de parte das condições observadas em SEALBA. Os resultados mostram que, embora tenham ocorrido chuvas durante o ciclo da cultura, os volumes registrados não foram suficientes para recompor a umidade do solo. “A resposta da cultura não depende apenas da ocorrência de chuvas, mas também da capacidade do solo em armazenar água e suprir a demanda hídrica das plantas entre os eventos de precipitação”, destacou o instituto.
Segundo o SISDAGRO, a redução gradual da disponibilidade de água para as plantas favoreceu o aumento do déficit hídrico e elevou continuamente a perda potencial de produtividade. Até 26 de julho, a estimativa indicava perda acumulada de aproximadamente 35,8%. “A persistência do estresse hídrico durante uma das fases mais sensíveis do desenvolvimento do milho tem impactado diretamente o potencial produtivo das lavouras”, informou o INMET.
O instituto ressaltou ainda que as chuvas registradas entre 16 e 19 de julho não conseguiram recuperar os níveis de umidade do solo. “Os volumes não foram suficientes para a reposição de umidade no solo, contribuindo para a manutenção de baixos níveis de água armazenada e favorecendo a continuidade do estresse hídrico e o aumento das perdas potenciais de produtividade”, afirmou o INMET.
Para os próximos sete dias, a previsão do tempo indica baixos acumulados de chuva em grande parte de SEALBA. Nas áreas mais interioranas, a tendência é de predomínio de tempo seco, com temperaturas máximas acima de 30 °C em alguns municípios. “Essas condições tendem a manter elevada a demanda evaporativa da atmosfera e reduzir o armazenamento de água no solo, favorecendo a continuidade do déficit hídrico e a manutenção do estresse hídrico nas lavouras de milho”, informou o INMET.
Nas áreas mais próximas do litoral, a previsão aponta pancadas de chuva entre 3 e 10 milímetros, associadas à atuação dos ventos do Oceano Atlântico. O instituto avalia que esses volumes são insuficientes para recompor significativamente a água armazenada no solo, embora a maior nebulosidade possa reduzir a evapotranspiração das culturas. “Mesmo onde há previsão de chuva, os volumes não deverão ser suficientes para reverter o quadro de restrição hídrica, que deverá permanecer mais intenso no interior da região”, concluiu o INMET.