Bahia volta a produzir fertilizantes nitrogenados
Investimento reativa fábrica baiana de fertilizantes e fortalece produção nacional
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O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, acompanhou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em visita à Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados da Bahia, a Fafen-BA, em Camaçari (BA), nesta quinta-feira (14). A retomada das operações da unidade integra a estratégia do Governo Federal para ampliar a produção nacional de fertilizantes, reduzir a dependência externa e reforçar a segurança alimentar do país.
Com investimento de R$ 100 milhões, a Fafen-BA tem capacidade para produzir 1,3 mil toneladas diárias de ureia, volume equivalente a cerca de 5% da demanda nacional. A reativação da planta também prevê a geração de 900 empregos diretos e 2,7 mil indiretos.
Os fertilizantes são considerados insumos estratégicos para a produtividade agrícola. A unidade havia sido hibernada pela Petrobras em 2019, durante o plano de desinvestimentos da estatal, e retomou as atividades em janeiro deste ano dentro do processo de reativação das plantas de fertilizantes nitrogenados no país.
Durante a agenda, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou a importância do agronegócio para a economia brasileira e defendeu o fortalecimento da produção nacional de fertilizantes. “O Brasil é um país agrícola, é um dos maiores produtores de alimentos do mundo e não pode importar 90% do fertilizante que a nossa agricultura precisa. O Brasil precisa produzir os fertilizantes que a agricultura brasileira necessita”, afirmou.
O ministro André de Paula ressaltou o impacto da retomada para o setor agropecuário e para a segurança alimentar. “Quando o presidente determinou a retomada dessas plantas, declarou visão estratégica e compromisso com a segurança alimentar”, disse.
Ainda durante a visita, Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que os investimentos na indústria nacional fortalecem a cadeia produtiva do agronegócio, ampliam a geração de empregos e incentivam o desenvolvimento tecnológico. Segundo ele, produzir no Brasil também significa estimular renda, qualificação profissional e competitividade.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, destacou a importância estratégica da retomada das fábricas de fertilizantes. “Com as fábricas do Mato Grosso do Sul, do Paraná, de Sergipe e da Bahia, vamos produzir 35% do fertilizante nitrogenado do que o Brasil precisa”, afirmou.
O ministro André de Paula afirmou ainda que a retomada da produção nacional fortalece a capacidade produtiva brasileira e reduz a dependência de importações. “O Brasil é o celeiro do planeta, e essa retomada é determinante não apenas para a segurança alimentar do Brasil, mas também para a segurança alimentar do mundo”, ressaltou.
Em março de 2018, dentro do plano de desinvestimentos e da saída da Petrobras do setor de fertilizantes, foi anunciado o fechamento das fábricas nitrogenadas da Bahia e de Sergipe. As unidades foram hibernadas em 2019 e, no ano seguinte, arrendadas à Unigel.
As plantas permaneceram sob operação da empresa até 2023, quando as atividades foram interrompidas sob a justificativa de inviabilidade econômica relacionada ao preço do gás natural. A partir daquele ano, a Petrobras decidiu retomar o segmento de fertilizantes e, em 2025, após acordo com a Unigel, reassumiu as unidades. A Fafen-SE voltou a operar em dezembro de 2025 e a Fafen-BA retomou as atividades em janeiro de 2026.
Atualmente, o Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes utilizados no país, cenário que reforça a necessidade de ampliar a produção nacional e diversificar fornecedores.
Com a operação da Fafen-BA, da Fafen-SE e da Araucária Nitrogenados S.A., a Petrobras projeta atingir cerca de 20% do mercado interno de ureia. Com a entrada da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III, em Três Lagoas (MS), a expectativa é alcançar aproximadamente 35% do mercado nacional nos próximos anos.
Lançado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária em 2022, o Plano Nacional de Fertilizantes busca reduzir a dependência brasileira de insumos importados e fortalecer a segurança alimentar. A meta do programa é atender entre 45% e 50% da demanda interna até 2050, por meio do desenvolvimento de tecnologias adaptadas às condições brasileiras e do incentivo a práticas sustentáveis, como o uso de nutrientes orgânicos e o reaproveitamento de resíduos.