Feijão preto lidera importações brasileiras em maio
Apesar das desvalorizações recentes, o mercado de feijão segue acumulando altas
Foto: Canva
Os mercados brasileiros de feijão carioca e preto começaram junho com predominância de queda nas cotações nas praças acompanhadas pelo Cepea. Segundo pesquisadores do Centro de Pesquisas, o recuo foi influenciado pela postura mais cautelosa dos compradores, pelo avanço da colheita da segunda safra e pela menor qualidade de parte dos lotes colhidos no Paraná, especialmente em áreas atingidas por geadas.
Depois das fortes valorizações registradas em maio, o mercado de feijão iniciou junho com menor sustentação nos preços. De acordo com pesquisadores do Cepea, compradores passaram a atuar com mais cautela, o que reduziu a liquidez e favoreceu quedas nas cotações.
O avanço da colheita da segunda safra também ampliou a oferta nas regiões produtoras acompanhadas pelo Centro. Ao mesmo tempo, a qualidade inferior de parte dos lotes colhidos no Paraná limitou o interesse de compra, sobretudo em áreas onde as lavouras foram afetadas por geadas.
Apesar das desvalorizações recentes, o mercado de feijão segue acumulando alta em 2026. Segundo pesquisadores do Cepea, esse movimento é sustentado pela redução da área cultivada e pela disponibilidade limitada de grãos de melhor qualidade.
Esse cenário mantém parte dos agentes atentos à oferta efetiva do produto, especialmente diante da diferença de qualidade entre os lotes disponíveis no mercado.
No mercado externo, as importações brasileiras de feijão ganharam força em maio. Segundo dados divulgados pela Secex, o Brasil importou 5,28 mil toneladas no mês.
O volume foi seis vezes superior ao registrado em maio do ano passado e o maior desde 2020. As compras vieram da Argentina e foram compostas por 65% de feijão preto, 25% de feijão branco e 11% de outros feijões comuns.
As exportações brasileiras de feijão somaram 12,09 mil toneladas em maio, segundo dados da Secex. O volume ficou 0,5% abaixo do registrado no mesmo período do ano passado.Na comparação com 2024, quando o Brasil atingiu recorde para o mês, com 22,84 mil toneladas embarcadas, a queda foi de 47,1%. A Índia segue como o principal destino das exportações brasileiras de feijão.
A tendência do mercado deve continuar ligada ao avanço da colheita, à qualidade dos lotes ofertados e ao comportamento dos compradores. Mesmo com a pressão de curto prazo, a menor área cultivada e a oferta restrita de grãos superiores ainda sustentam parte do movimento de valorização acumulado em 2026.