Falta de chuva preocupa safra de milho em Goiás
Goiás amplia produção de etanol de milho
Foto: Pixabay
A redução das chuvas em Goiás desde abril tem preocupado produtores e mantido o mercado atento ao desenvolvimento do milho segunda safra no estado. De acordo com a edição de maio do informativo Agro em Dados, divulgado pela Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás, a menor umidade do solo já impacta áreas cultivadas em um momento considerado decisivo para a cultura.
Segundo o levantamento, na primeira semana de maio de 2026, cerca de 33% da área cultivada com milho no Brasil estava em fase de floração, enquanto 54,2% se encontrava em enchimento de grãos, períodos mais sensíveis ao déficit hídrico. Em Goiás, a falta de chuvas elevou a preocupação do setor quanto às condições climáticas das próximas semanas e aos possíveis reflexos sobre a produtividade da segunda safra.
O relatório também aponta que os preços do milho recuaram 4,2% em abril na comparação com março, pressionados tanto pelo cenário internacional quanto pelo mercado doméstico. Conforme o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, o USDA, o aumento da produção e dos estoques globais na temporada 2025/26 reforçou a percepção de maior oferta mundial do cereal. No Brasil, o ritmo mais lento das negociações, aliado aos estoques disponíveis, também contribuiu para a pressão sobre as cotações.
De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento, a estimativa para os estoques finais da safra 2025/26 é de 12,8 milhões de toneladas, volume próximo ao registrado no ciclo anterior e acima da média das últimas cinco safras. O cenário ampliou a expectativa de maior disponibilidade do cereal no mercado interno ao longo do ano.
Apesar da pressão nos preços, o consumo doméstico deve continuar elevado, impulsionado principalmente pelo avanço da produção de etanol de milho. Em Goiás, a fabricação do biocombustível vem crescendo de forma consistente. Dados da Conab indicam que a produção saltou de 190,8 milhões de litros na safra 2018/19 para 841,6 milhões de litros na temporada 2025/26, crescimento superior a quatro vezes no período.
No comércio exterior, as exportações de milho apresentaram retração entre janeiro e março de 2026, tanto em valor quanto em volume embarcado por Goiás. O desempenho refletiu, entre outros fatores, a redução do número de destinos compradores no período.
Em contrapartida, os embarques de produtos derivados do milho, como amido, farinha, óleo e milho doce preparado, avançaram no primeiro trimestre e atingiram o maior valor já exportado para o período. O crescimento foi impulsionado pela ampliação do número de compradores, que chegou a 25 países, além do aumento das aquisições por mercados como Países Baixos, Argentina, Bélgica e México.