Soja e milho: baixa umidade exige cautela no Centro-Oeste
Como o clima pode afetar a semeadura
Foto: Canva
O início da safra de verão 2026/27 de soja e milho depende da regularização das chuvas nas principais regiões produtoras. Segundo dados divulgados pela Conab, a evolução das condições climáticas será um dos fatores que vão influenciar o desempenho das culturas ao longo do ciclo, enquanto a previsão do INMET aponta baixos volumes de precipitação e temperaturas elevadas em grande parte de Goiás e Mato Grosso nos próximos dias.
A previsão de pouca chuva mantém a umidade do solo em níveis reduzidos e exige cautela na implantação das lavouras de sequeiro. Pancadas isoladas podem criar condições momentaneamente favoráveis à semeadura, mas não garantem a disponibilidade hídrica necessária para a germinação, a emergência e o estabelecimento inicial das plantas.
Por isso, a continuidade e a boa distribuição das chuvas são tão importantes quanto o volume registrado no momento do plantio. A rápida redução da umidade do solo pode comprometer a uniformidade do estande e aumentar os riscos durante a implantação das lavouras.
O cenário ganha importância diante da expectativa de expansão da área cultivada com milho primeira safra e da continuidade do crescimento da área de soja no país. Com volumes pouco expressivos ou ausência de chuva em grande parte dos estados, as condições de plantio poderão variar entre municípios e propriedades.
Segundo dados divulgados pela Conab, essa variação estará relacionada, entre outros fatores, à evolução das condições climáticas ao longo do ciclo. A umidade antecedente do solo e a ocorrência efetiva das precipitações também serão determinantes para definir o avanço das operações.
A semeadura com disponibilidade hídrica limitada aumenta o risco de germinação e emergência desuniformes, falhas de estande e eventual necessidade de replantio. O problema pode ser ainda maior em áreas onde as primeiras chuvas não apresentem volume ou distribuição suficientes.
Outro ponto de atenção é o calendário da segunda safra. Atrasos mais prolongados na instalação da soja em Goiás e Mato Grosso podem reduzir a janela disponível para a semeadura da segunda safra de milho em áreas de sucessão.
Por isso, a definição da data de plantio deve considerar as condições locais de umidade do solo, a atualização da previsão do tempo e as recomendações do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC).
Segundo dados divulgados pelo INMET, a previsão para os próximos sete dias indica baixos acumulados de chuva em grande parte de Goiás e Mato Grosso. Os volumes entre 10 e 30 milímetros devem ficar concentrados principalmente na porção sul dos estados.
As temperaturas também tendem a permanecer elevadas sobre o norte e o sudoeste de Mato Grosso e o oeste de Mato Grosso do Sul. Nessas áreas, os valores máximos deverão ultrapassar 30 °C.
Segundo dados divulgados pelo INMET, os níveis de armazenamento de água no solo ainda permanecerão extremamente baixos em grande parte da região nos próximos cinco dias.
Embora o Centro-Oeste esteja em transição para o período chuvoso, as precipitações previstas ainda não devem ser suficientes para promover uma recuperação significativa da umidade do solo em grande parte de Goiás e Mato Grosso.
Com isso, a disponibilidade hídrica continuará limitada, aumentando a dependência da regularização das chuvas para o início e o estabelecimento das lavouras de sequeiro.
A condição é especialmente relevante para a soja. A baixa umidade do solo pode comprometer a germinação e a emergência das plantas caso as primeiras chuvas sejam insuficientes ou apresentem distribuição irregular.
Dessa forma, a frequência, a distribuição e os volumes das próximas precipitações serão determinantes para o avanço da semeadura das culturas de verão, principalmente nas áreas de Goiás e Mato Grosso que ainda apresentam baixos níveis de armazenamento de água no solo.
O acompanhamento das previsões e dos avisos meteorológicos emitidos pelo INMET também se torna importante para subsidiar as decisões nas lavouras, reduzir riscos operacionais e melhorar o planejamento das operações de campo.