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Chuvas elevam risco de cercospora no milho

Monitoramento é chave contra cercospora


Foto: Agrolink

A cercosporiose do milho, causada pelo fungo Cercospora zeae-maydis, segue entre as principais preocupações fitossanitárias das regiões produtoras de milho do Brasil em safras marcadas por chuvas frequentes e temperaturas amenas a quentes. A doença tem maior incidência em áreas do Centro-Oeste, Sul e Sudeste, especialmente entre dezembro e junho, período em que a combinação de umidade elevada e molhamento foliar favorece epidemias. O manejo, segundo orientações técnicas de instituições como a Embrapa Milho e Sorgo, exige integração de estratégias como escolha de híbridos tolerantes, rotação de culturas, manejo de palhada, ajuste de época de semeadura e uso racional de fungicidas. O acompanhamento técnico por engenheiro(a) agrônomo(a) também é apontado como essencial para definir o momento correto de intervenção.

O avanço da cercosporiose está relacionado à intensificação dos sistemas de produção, principalmente em áreas com sucessão de culturas e semeaduras tardias. Em estados como Bahia, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul, o clima com temperaturas entre 20 °C e 28 °C e alta umidade relativa cria ambiente favorável para o fungo. O sistema de plantio direto, embora importante para conservação do solo, também contribui para a manutenção do inóculo na palhada de milho deixada na superfície.

A doença é causada pelo fungo Cercospora zeae-maydis, que ataca principalmente as folhas e compromete a área fotossintética da planta. O patógeno sobrevive em restos culturais infectados e libera esporos em condições de umidade, disseminados pelo vento e por respingos de chuva. Após a infecção, surgem lesões que dão continuidade ao ciclo da doença ao longo da safra, especialmente em ambientes com folhas molhadas por longos períodos.

As condições climáticas exercem papel decisivo no desenvolvimento da cercosporiose. Temperaturas amenas a quentes, alta umidade relativa, excesso de sombreamento no dossel e sucessão de milho sobre milho elevam a pressão da doença. O uso de híbridos suscetíveis também acelera o avanço da epidemia nas lavouras.

A identificação correta da cercosporiose é considerada fundamental para o manejo integrado. Os sintomas incluem lesões alongadas que evoluem para manchas de coloração marrom-clara a cinza, geralmente alinhadas às nervuras das folhas. Em situações severas, ocorre queima intensa das folhas superiores, reduzindo diretamente a capacidade fotossintética da planta. Técnicos alertam que a doença pode ser confundida com outras manchas foliares, o que torna importante o diagnóstico especializado.

Os impactos na produtividade variam conforme a intensidade da doença e o estádio em que a infecção ocorre. Quando atinge folhas próximas à espiga durante o florescimento e enchimento de grãos, a cercosporiose pode reduzir significativamente o peso dos grãos e comprometer o rendimento final da lavoura. Estudos citados pela Embrapa e por universidades brasileiras indicam que, em áreas sem manejo adequado, as perdas podem gerar impactos econômicos relevantes.

Especialistas apontam que o manejo da doença em anos chuvosos deve considerar diferentes fatores simultaneamente, como histórico da área, volume de palhada infectada, suscetibilidade do híbrido, previsão climática e posição das lesões na planta. Nesse cenário, o monitoramento frequente da lavoura é considerado decisivo para orientar as intervenções e evitar aplicações desnecessárias de fungicidas.

A escolha de híbridos mais tolerantes aparece como uma das principais ferramentas preventivas contra a cercosporiose. Informações técnicas de empresas e instituições de pesquisa ajudam produtores a selecionar materiais com melhor pacote sanitário, principalmente em áreas com alta pressão da doença e histórico de sucessão milho-milho.

A rotação de culturas e o manejo de restos culturais também são apontados como pilares do controle integrado. Alternar o milho com culturas não hospedeiras reduz a quantidade de inóculo disponível para a próxima safra. Ao mesmo tempo, práticas que favoreçam a decomposição da palhada ajudam a diminuir a sobrevivência do fungo no sistema produtivo.

Outra estratégia recomendada é o ajuste da época de semeadura, buscando evitar que as fases mais sensíveis da cultura coincidam com períodos de maior umidade. O escalonamento do plantio e o respeito às janelas do zoneamento agrícola também contribuem para reduzir riscos fitossanitários e facilitar o manejo operacional da lavoura.

O manejo da densidade de plantas e da fertilidade do solo influencia diretamente o ambiente dentro da lavoura. Dosséis muito fechados aumentam o tempo de molhamento foliar, favorecendo a doença. Já a nutrição equilibrada fortalece as plantas diante de estresses, enquanto desequilíbrios nutricionais podem elevar a suscetibilidade às manchas foliares.

O controle químico segue como ferramenta importante, mas deve ser utilizado dentro de um programa integrado. Instituições de pesquisa indicam que os fungicidas apresentam maior eficiência quando aplicados nos estádios iniciais da doença e antes do comprometimento severo das folhas superiores. A decisão sobre a primeira aplicação deve considerar sintomas iniciais, previsão de chuvas e estádio fenológico da cultura.

A rotação de modos de ação é apontada como fundamental para evitar resistência do fungo aos fungicidas. As recomendações incluem alternar grupos químicos, utilizar misturas registradas e respeitar doses, intervalos e número máximo de aplicações definidos em bula e receituário agronômico.

A qualidade da pulverização também ganha importância em períodos chuvosos, quando as janelas de aplicação costumam ser reduzidas. Técnicos recomendam atenção à regulagem dos pulverizadores, escolha adequada das pontas e monitoramento das condições climáticas para evitar perdas por deriva e lavagem dos produtos.

O manejo da cercosporiose deve estar alinhado a outras práticas agronômicas da lavoura. Programas fitossanitários integrados, controle de plantas daninhas e manejo de pragas ajudam a reduzir fatores que favorecem o microclima úmido e o enfraquecimento das plantas, contribuindo para maior equilíbrio do sistema produtivo.

As orientações técnicas também reforçam a necessidade de seguir rigorosamente a legislação relacionada ao uso de defensivos agrícolas. O uso de equipamentos de proteção individual, o respeito aos períodos de carência e a utilização apenas de produtos registrados fazem parte das exigências previstas para o manejo fitossanitário da cultura.

Entre os principais pontos recomendados para o controle da cercosporiose estão o monitoramento constante da lavoura, a escolha de híbridos tolerantes, a rotação de culturas, o posicionamento correto de fungicidas e a integração das práticas de manejo. O registro das estratégias utilizadas e dos resultados obtidos também é considerado importante para o planejamento das próximas safras. Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um(a) engenheiro(a) agrônomo(a) em condições reais de campo.

 

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