O manejo que antecipa o ataque no campo
Os nutrientes também participam desse equilíbrio
Os nutrientes também participam desse equilíbrio - Foto: Pixabay
O manejo fitossanitário no campo vem passando por uma mudança importante, com maior atenção à capacidade da planta de se preparar antes que pragas e patógenos causem danos econômicos. A avaliação é de Braitner L. Andrade, estrategista do agronegócio, ao destacar a transição do controle reativo para uma abordagem baseada na fisiologia preventiva.
Nesse contexto, o ácido jasmônico ganha relevância por coordenar respostas bioquímicas quando a planta sofre ataque de insetos, como no caso de lagartas que mastigam as folhas. Ao identificar o dano, a planta ativa sensores celulares e inicia uma sequência de reações que busca produzir compostos capazes de torná-la menos atrativa e mais difícil de ser explorada pela praga.
Quando o desafio envolve patógenos, outra rota de defesa assume papel central. O ácido salicílico está ligado a respostas associadas à resistência sistêmica adquirida, mostrando que a planta utiliza mecanismos diferentes conforme o tipo de ameaça. Essa diferenciação reforça a importância de compreender a defesa vegetal como um processo fisiológico complexo, e não apenas como uma decisão de pulverização.
Segundo Andrade, uma das frentes mais relevantes do manejo atual é a possibilidade de ativar parte dessas respostas antes que o ataque ocorra. Esse processo, descrito como priming imunológico induzido por manejo, não representa resistência genética, mas uma forma de colocar a planta em estado de alerta. Extratos de algas, oligossacarídeos e outros elicitores atuam como sinais bioquímicos que preparam o organismo vegetal para responder com maior rapidez quando exposto ao estresse.
Os nutrientes também participam desse equilíbrio. O cálcio contribui para a sinalização celular, o boro está relacionado à integridade da parede celular e o silício atua como barreira física e reforço das respostas de defesa. A velocidade dessa reação pode influenciar diretamente o tamanho do dano.
A inteligência artificial amplia esse conceito ao permitir o cruzamento de clima, histórico de pressão de pragas e estádio fenológico. Com isso, modelos podem indicar períodos de maior risco biológico antes que o problema apareça no campo. A decisão passa a envolver não apenas qual produto aplicar, mas o momento adequado para preparar a planta para se defender.