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Setor arrozeiro perde força na negociação

Empresas negociam em condições de pressão


Empresas negociam em condições de pressão Empresas negociam em condições de pressão - Foto: José Luis da Silva Nunes

A relação entre indústria e varejo no mercado de arroz expõe um desequilíbrio construído ao longo de anos, com impacto direto sobre a capacidade de negociação do setor produtivo. A avaliação é de Sergio Cardoso, analista da cadeia de arroz, em análise divulgada pelo canal Pampa Gaúcho.

Segundo Cardoso, a concentração do debate no tamanho das grandes redes varejistas desvia a atenção do problema central. Para ele, o varejo cumpre sua função ao acompanhar o mercado, identificar oportunidades e comprar nos momentos mais favoráveis. A questão principal, portanto, é entender como a indústria do arroz passou a depender tanto desse canal para escoar sua produção.

Essa dependência, conforme a análise, não surgiu de forma repentina. Ela está associada a fatores estruturais que se acumularam ao longo do tempo e reduziram a força comercial das empresas do setor. Entre os pontos citados estão a elevada capacidade ociosa, a necessidade constante de geração de caixa, o beneficiamento de estoques de terceiros, a concorrência intensa entre indústrias e a complexidade do ambiente tributário.

Esse conjunto de fatores faz com que muitas empresas negociem em condição de pressão, mesmo em momentos nos quais a oferta mais restrita poderia abrir espaço para recuperação de margens. Um exemplo citado ocorreu antes das enchentes de maio de 2024, quando compradores do Grupo Mateus percorreram o Rio Grande do Sul e Santa Catarina em busca de arroz. Mesmo em um cenário de menor disponibilidade, conseguiram fechar negócios em condições comerciais consideradas favoráveis.

Para Cardoso, o episódio mostra que parte da indústria ainda vende orientada pela necessidade imediata de caixa, e não por uma estratégia comercial mais estruturada. Dessa forma, o desafio não está em atribuir ao varejo a responsabilidade pelo desequilíbrio, mas em fortalecer a própria indústria.

A análise aponta que a recuperação do poder de negociação passa pela construção de um setor menos dependente, com maior capacidade de planejamento, geração de valor e atuação coordenada dentro da cadeia do arroz.

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