IA vai ajudar a modernizar certificação do pescado brasileiro
Plataforma de certificação do pescado ganhará suporte de IA (
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Pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) trabalham em dois projetos que buscam aplicar inteligência artificial à Plataforma Nacional da Indústria do Pescado (Pnip). Sob coordenação do professor Alencar Machado, as pesquisas investigam como modelos de linguagem de grande escala (LLMs) podem ser incorporados ao sistema, tanto para interpretar comandos em linguagem natural quanto para dar suporte a chatbots voltados a usuários e analistas da plataforma.
A Pnip é fruto de uma parceria entre a UFSM e o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) e tem como função modernizar processos relacionados à certificação sanitária e à comprovação de origem legal do pescado exportado pelo país. Pela plataforma são emitidos documentos como o Certificado Oficial de Boas Práticas Higiênico-Sanitárias a Bordo, o Certificado de Acreditação de Origem Legal (Caol) e certificados específicos exigidos por diferentes países importadores. De acordo com a UFSM, o trabalho de incorporar IA à Pnip está dividido em duas frentes. Na primeira, a equipe se dedica a conectar os LLMs à infraestrutura tecnológica já existente na plataforma — um processo que exige cuidado, já que qualquer integração precisa preservar a estabilidade do sistema enquanto abre espaço para novas funcionalidades.
Já a segunda frente é voltada ao relacionamento direto com o usuário, por meio de chatbots. Diferentemente das versões mais antigas, baseadas em respostas pré-definidas, o uso de LLMs permite conversas mais abertas e naturais. Em contrapartida, essa flexibilidade exige mais atenção a pontos como segurança da informação, definição de contexto e precisão nas respostas.
Machado explica que o chatbot da Pnip precisa atuar dentro de limites claros, já que o sistema é utilizado por públicos distintos — cidadãos, empresas e analistas do próprio Ministério da Pesca e Aquicultura. Por isso, a ferramenta precisa identificar o perfil de quem está perguntando e ajustar o conteúdo da resposta conforme as regras de acesso de cada grupo. Segundo o coordenador, o modelo opera dentro de um sistema legado, em ambiente corporativo, o que significa que nem toda informação pode ser liberada a qualquer usuário.
Para Machado, esse é justamente o ponto que diferencia as pesquisas: a aplicação de modelos de linguagem em um cenário real, com usuários de verdade e demandas concretas tanto do setor produtivo quanto da administração pública. Mais do que responder corretamente, o desafio é garantir que o sistema saiba até onde pode ir — respondendo apenas o que é permitido, no nível de detalhe adequado a cada perfil.
A viabilização técnica e financeira das pesquisas conta com o apoio da Lupa Data Serviços em Tecnologia da Informação Ltda., empresa de Brasília que fornece recursos e suporte técnico ao projeto. À equipe da UFSM cabe a parte de estudo, desenvolvimento e implantação das soluções previstas no plano de trabalho — um processo que também tem servido como formação prática para os estudantes e pesquisadores envolvidos, que acompanham de perto etapas de desenvolvimento, testes e validação em ambiente real.