Quem será surpreendido pelo El Niño?
Historicamente, o El Niño modifica padrões de chuva e temperatura
Historicamente, o El Niño modifica padrões de chuva e temperatura - Foto: OceanOPS
A possível confirmação de um novo episódio de El Niño volta a colocar o clima no centro das atenções do agronegócio e dos mercados financeiros, diante do potencial de alterar a oferta global e influenciar os preços das principais commodities. A avaliação é de Carlos Demant, gerente de projetos agrícolas, que destaca que a reação do mercado costuma ocorrer antes mesmo de uma quebra efetiva de produção, quando cresce a percepção de que perdas podem acontecer.
Historicamente, o El Niño modifica padrões de chuva e temperatura em importantes regiões produtoras. Entre os possíveis efeitos estão perdas de produtividade no milho, redução do potencial produtivo da soja em alguns países, impactos sobre trigo e outras culturas de inverno, alterações na produção de café e aumento do custo da alimentação animal, com reflexos sobre as proteínas.
Demant ressalta, porém, que nem todo episódio de El Niño provoca altas expressivas nos preços. A agricultura avançou em tecnologia, materiais genéticos, irrigação e manejo, o que ampliou a resiliência das lavouras em comparação com duas décadas atrás. Esse cenário levanta a dúvida sobre até que ponto o mercado ainda precifica os riscos climáticos da mesma forma que no passado.
A principal questão passa a ser se genética, manejo e tecnologia conseguem neutralizar parte dos riscos climáticos globais ou se um evento forte ainda teria capacidade de surpreender produtores e investidores. Nos próximos meses, a evolução das condições climáticas deve ser acompanhada de perto, já que, no agronegócio, mudanças no tempo podem alterar expectativas de oferta, estoques e preços antes mesmo do início das colheitas.