O quadro também alcança a soja - Foto: Canva
A alta dos fertilizantes no mercado internacional tem ampliado a pressão sobre os custos de produção e piorado as condições de compra para agricultores brasileiros. Em um cenário de forte dependência de importações, a valorização dos insumos no mercado doméstico afeta diretamente o planejamento da safra e leva produtores a rever estratégias diante da volatilidade.
De acordo com a StoneX, a escalada dos preços foi impulsionada pela eclosão do conflito no Oriente Médio. Entre os fertilizantes nitrogenados, o movimento é mais intenso. Desde o início do conflito, os preços CFR da ureia subiram cerca de 63% no país. No mesmo período, o sulfato de amônio acumula alta próxima de 30%, enquanto o nitrato de amônio registra valorização de aproximadamente 60%.
A ureia é o principal ponto de pressão nas relações de troca, sobretudo para o milho. Segundo o relatório, são necessárias atualmente cerca de 60 sacas do cereal para a compra de uma tonelada do insumo, um dos piores patamares dos últimos anos. A avaliação da consultoria é que esse cenário reduz margens e torna as decisões de compra mais difíceis para o produtor.
O quadro também alcança a soja, com condições pouco atrativas para aquisição de fertilizantes fosfatados. Com custos elevados, a demanda tende a ser mais cautelosa, seletiva e voltada à redução de gastos, o que pode desacelerar o ritmo de compras no país.
Apesar da postura defensiva adotada por parte dos produtores nas últimas semanas, o calendário agrícola limita o adiamento das aquisições. A principal janela de compra ocorre no segundo semestre, antes da safra de verão. Com o avanço do calendário, os agricultores terão que escolher entre absorver custos mais altos ou reduzir a aplicação de insumos, assumindo riscos para a produtividade.