Dependência externa amplia riscos para fertilizantes
Os efeitos já chegam ao campo
Os efeitos já chegam ao campo - Foto: Divulgação
A forte dependência de fertilizantes importados amplia a exposição do agronegócio brasileiro às oscilações do mercado internacional. Pressões sobre a oferta, custos logísticos e questões geopolíticas aumentam o risco de preços mais altos e dificuldades no abastecimento, exigindo maior planejamento nas decisões de compra.
Segundo Marcelo Soto, head de Operações e Inteligência de Suprimentos da SCA Brasil Aliança, o Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes consumidos. Entre os produtos mais pressionados estão o enxofre e o ácido sulfúrico, usados na fabricação de fertilizantes fosfatados. A maior demanda global por enxofre, impulsionada pela indústria de baterias elétricas, reduz a disponibilidade e eleva os preços.
Os efeitos já chegam ao campo, com aumento dos custos de produção e pressão sobre as margens dos produtores. Em alguns casos, os preços dos insumos chegaram a dobrar, levando o setor a rever estratégias de compra e aplicação.
O segundo semestre também concentra maior movimentação de fertilizantes, aumentando o risco de gargalos em portos, rodovias e fábricas. Nesse cenário, negociações antecipadas, contratos de longo prazo e inteligência de mercado podem ajudar a garantir o abastecimento, identificar oportunidades e reduzir a exposição à volatilidade.
“As compras de fertilizantes e químicos industriais precisam ser tratadas cada vez mais de forma estratégica dentro das empresas. O Brasil ainda depende fortemente de fornecedores externos, enquanto a produção nacional enfrenta desafios de custo e competitividade. Isso reforça a necessidade de planejamento e de uma gestão mais profissionalizada dos insumos”, conclui Soto.