Soja: El Niño entra no radar da safra 2026/27
Mercado acompanha clima e demanda chinesa
Foto: USDA
O mercado da soja inicia a semana com atenção voltada para as condições climáticas nos Estados Unidos. Segundo a análise "Direto do Campo", da Grainsights, produzida pela Grão Direto nesta segunda-feira (13), o comportamento do clima no Meio-Oeste norte-americano deve orientar a movimentação dos fundos de investimento e influenciar as negociações na Bolsa de Chicago.
O relatório destaca que julho corresponde ao período de desenvolvimento vegetativo e início da floração da soja nos Estados Unidos. Nesse cenário, qualquer mudança nas previsões meteorológicas indicando calor intenso ou estresse hídrico sobre o Corn Belt poderá estimular compras especulativas e pressionar as cotações internacionais.
Além do clima, o mercado acompanhará os dados do relatório semanal de Progresso de Safra (Crop Progress), divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Os operadores devem avaliar se as chuvas registradas recentemente provocaram impactos por excesso de umidade nas lavouras. As variações nos índices de áreas classificadas como "Boa e Excelente" tendem a influenciar o comportamento diário dos preços.
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Outro fator observado é o aumento das compras chinesas de soja norte-americana. Conforme a análise da Grão Direto, o USDA confirmou na semana passada vendas superiores a 700 mil toneladas para a China. O documento avalia que esse volume sinaliza uma retomada consistente da demanda chinesa e pode continuar dando sustentação às cotações ao longo dos próximos dias.
O cenário geopolítico também permanece no radar dos agentes de mercado. Segundo a análise, os custos do frete marítimo seguem elevados em razão dos embargos e dos atrasos registrados em importantes rotas comerciais, como o Mar Negro e o Estreito de Ormuz. Esse cenário mantém elevados os custos de seguros e transporte, afetando a formação dos preços nos portos brasileiros e pressionando os prêmios locais.
No Brasil, a análise aponta que o ritmo das exportações continua favorecendo o mercado. Dados da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) mostram que o país embarcou 13,84 milhões de toneladas de soja em junho. O documento destaca que a demanda do mercado asiático tem garantido o escoamento da safra nacional estimada em 180,3 milhões de toneladas, contribuindo para evitar uma queda mais acentuada dos prêmios.
A projeção para a safra 2026/27 também já começa a influenciar o planejamento dos produtores. Conforme a Grão Direto, as previsões associadas ao fenômeno El Niño indicam possibilidade de atraso das chuvas nas regiões Norte e Nordeste, enquanto o Sul pode enfrentar excesso de precipitações. Ao mesmo tempo, o produtor deverá lidar com fertilizantes mais caros e com um cenário de redução nas vendas desses insumos, reflexo da inadimplência registrada no setor rural.