Trigo na Argentina ganha um novo obstáculo
Nas áreas do NOA e do NEA, a tendência é de avanço no plantio
Nas áreas do NOA e do NEA, a tendência é de avanço no plantio - Foto: Agrolink
A safra de trigo 2026/27 na Argentina começa sob um cenário de contraste entre clima favorável e pressão econômica sobre o produtor. Segundo a Bolsa de Cereais de Buenos Aires (BCBA), a excelente disponibilidade hídrica em grande parte da área agrícola e a perspectiva de um “Ano Niño” a partir do inverno estimulam a intenção de semeadura, mas os altos custos dos insumos, sobretudo da Ureia, limitam o entusiasmo.
Diferentemente de ciclos anteriores, quando a decisão de plantio dependia principalmente da recomposição da umidade do solo, nesta temporada o peso maior recai sobre a rentabilidade e o custo dos fertilizantes. Mesmo com boa umidade nos perfis, muitos produtores avaliam reduzir o pacote tecnológico ou até migrar para culturas alternativas de inverno, como cevada, canola, carinata e camelina, além da soja de primeira ocupação em algumas regiões.
Nas áreas do NOA e do NEA, a tendência é de avanço no plantio, sustentada pelas chuvas de março e abril, que elevaram de forma expressiva as reservas de água no solo. Já no centro-oeste agrícola, o cenário é mais de manutenção, com interesse pela cultura, mas ainda condicionado pelo preço dos fertilizantes e pelos custos em áreas arrendadas.
Por outro lado, no centro-leste e nos principais núcleos trigueros do sul, como Buenos Aires e La Pampa, a inclinação é de retração. Nessas regiões, o trigo perde espaço para alternativas com menor exigência tecnológica e melhor perspectiva econômica. Diante desse quadro, a projeção da BCBA para o ciclo 2026/27 é de 6,5 milhões de hectares semeados, área 3% menor que a da safra anterior, mas ainda 2,8% acima da média das últimas cinco campanhas.