Super El Niño pode aumentar riscos climáticos para a agricultura
Super El Niño pode aumentar riscos climáticos para a agricultura
Foto: NOAA
A previsão do Super El Niño para o trimestre de novembro de 2026 a janeiro de 2027 indica maior probabilidade de chuva abaixo da média em grande parte do Brasil, enquanto a Região Sul aparece com tendência oposta, de precipitações acima do normal. Segundo informações divulgadas pelo Meteored com base no boletim do Instituto Internacional de Pesquisa para o Clima e a Sociedade (IRI), publicado na quinta-feira (15), o cenário também aponta temperaturas acima da média em grande parte do território brasileiro.
A previsão climática considera um episódio excepcionalmente intenso de El Niño, que vem se fortalecendo no Pacífico equatorial e influencia os padrões de chuva e temperatura em diferentes partes do planeta. O pico do fenômeno é esperado entre novembro e dezembro de 2026.
Para o período de novembro de 2026 a janeiro de 2027, o mapa de precipitação do IRI aponta maior probabilidade de acumulados de chuva abaixo da média em uma extensa área do norte da América do Sul. A tendência abrange grande parte da Amazônia e avança sobre áreas do Brasil central e do Nordeste. Em algumas dessas regiões, a probabilidade de chuva abaixo da média ultrapassa 70%, segundo o boletim do IRI divulgado na análise do Meteored.
O sinal não significa que haverá necessariamente uma seca generalizada. Ele indica que, entre as categorias consideradas pelos modelos climáticos, o cenário de precipitações abaixo da média apresenta maior probabilidade de ocorrência. Em contraste, o Sul do Brasil aparece entre as áreas com maior probabilidade de chuvas acima da média. O sinal também se estende a regiões do Paraguai, do Uruguai e da Argentina, com probabilidades superiores a 70% em algumas áreas.
Super El Niño pode aumentar riscos climáticos para a agriculturaAlém das diferenças previstas para a distribuição das chuvas, o boletim indica maior probabilidade de temperaturas acima da média em grande parte do Brasil entre novembro de 2026 e janeiro de 2027.
No mapa de temperatura, a maior parte do território brasileiro apresenta probabilidades superiores a 70% para condições mais quentes que o normal. Já a tendência de temperaturas abaixo da média aparece principalmente em partes do sul da América do Sul, incluindo o Rio Grande do Sul.
Os mapas representam probabilidades para o conjunto do trimestre, e não previsões diárias. Portanto, não determinam quando ocorrerão ondas de calor, temporais ou outros eventos extremos específicos. A distribuição efetiva das chuvas e das temperaturas dependerá da evolução das condições atmosféricas ao longo dos próximos meses.
O episódio excepcionalmente intenso de El Niño é um dos fatores considerados para o cenário climático previsto. O fenômeno altera padrões de circulação atmosférica e pode influenciar a distribuição das chuvas e as temperaturas em diferentes regiões do planeta. No entanto, segundo as informações apresentadas pelo Meteored com base no boletim do IRI, o El Niño não é o único elemento que determina o clima sazonal. A interação com outros processos oceânicos e atmosféricos pode reforçar ou modificar os padrões indicados pelos modelos.
Por isso, as probabilidades sazonais devem ser interpretadas como uma tendência para o trimestre, e não como uma garantia de que as condições previstas ocorrerão de maneira uniforme em todas as localidades.
O boletim do IRI também destaca a elevada probabilidade de temperaturas acima da média em extensas áreas do planeta entre novembro de 2026 e abril de 2027. Apesar da predominância desse sinal, algumas regiões apresentam maior probabilidade de temperaturas abaixo da média em determinados períodos. Entre novembro e janeiro, a tendência aparece no Uruguai e em áreas vizinhas. Entre janeiro e abril de 2027, o sinal também é indicado para o sul e o sudeste dos Estados Unidos. O cenário global ocorre em meio ao fortalecimento excepcional do El Niño, fenômeno conhecido por contribuir para a elevação das temperaturas médias globais, especialmente no ano seguinte ao seu pico.
Os dados apresentados na análise do Meteored mostram que, em setembro de 2026, a anomalia mensal absoluta da temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4, utilizada para monitorar o fenômeno, chegou a +2,84 °C. Já o valor semanal centrado em 7 de outubro atingiu +3,3 °C. Segundo o relatório citado, essa medida permaneceu acima de +3,0 °C nas quatro semanas anteriores.
O pico do evento, porém, ainda é esperado entre novembro e dezembro de 2026. Até lá, as anomalias de temperatura da superfície do mar ainda poderão aumentar. A evolução do fenômeno e a atualização das previsões climáticas serão importantes para acompanhar os possíveis impactos sobre a agricultura brasileira, especialmente nas regiões em que os modelos indicam maior probabilidade de chuva abaixo da média ou de temperaturas mais elevadas.
Com dados do International Research Institute for Climate and Society (IRI). October 2026 Climate Forecast Discussion for the period November-January 2026/27 through February-April 2027.