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Correção do solo: silicato alcança mais de 60 culturas em MG

Como o insumo é usado na agricultura familiar


Foto: Divulgação

O uso de silicato para correção do solo alcançou mais de 60 culturas em Minas Gerais e beneficiou 2.054 produtores de 103 municípios. Segundo dados divulgados pela Emater-MG, o projeto contemplou 6.716 hectares, dos quais 81% pertencem a agricultores familiares, com fornecimento gratuito de Agrosilício mediante análise de solo e recomendação técnica.

O Agrosilício é um corretivo de acidez à base de silicato de cálcio e magnésio e pode ser utilizado como alternativa ao calcário na correção do solo. Além de fornecer cálcio e magnésio, o produto também disponibiliza silício, elemento benéfico associado ao fortalecimento estrutural das plantas e à maior tolerância a estresses bióticos e abióticos.

Segundo dados divulgados pela Emater-MG, o insumo também contribui para a sanidade vegetal e atua na correção da acidez, na construção da fertilidade do solo e na formação de um ambiente mais equilibrado para o desenvolvimento das culturas.

O produto foi utilizado em diferentes sistemas produtivos no projeto mineiro. Os grãos representaram 33% das áreas atendidas, seguidos por pastagens, com 20%, café, com 19%, olericultura, com 14%, e fruticultura, com 10%.

Também houve utilização do Agrosilício em cana-de-açúcar, silvicultura, floricultura e palma forrageira. A diversidade mostra que o insumo foi empregado em diferentes atividades agrícolas no estado.

A Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG) participa do trabalho com a mobilização dos agricultores, a coleta e a interpretação das análises de solo e a recomendação das quantidades do produto.

Após a liberação, o Agrosilício é encaminhado aos municípios e distribuído aos produtores, que ficam responsáveis pela aplicação nas propriedades.

Segundo o coordenador técnico estadual de Culturas e Café da Emater-MG, Sérgio Brás Regina, a análise de solo é fundamental para definir a quantidade adequada do insumo em cada área. “Para nós, a análise de solo é uma premissa. O Agrosilício precisa ser dosado de acordo com a necessidade da planta e do solo. A partir da análise, fazemos a recomendação considerando a cultura e a área disponível do produtor”, explica o engenheiro agrônomo.

A prioridade do projeto é a agricultura familiar, especialmente produtores de alimentos. Entre os beneficiados estão agricultores que fornecem para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e participantes de feiras livres.

O uso do corretivo também alcançou propriedades com café, grãos, hortaliças, fruticultura, capineiras, florestas e áreas destinadas à recuperação de pastagens.

Segundo dados divulgados pela Emater-MG, o acompanhamento das propriedades também tem estimulado produtores que anteriormente não realizavam análises de solo a utilizar o diagnóstico para orientar a correção e a adubação.

Para Sérgio Brás Regina, as áreas acompanhadas apresentam diferenças no desenvolvimento das plantas após a aplicação do produto. “Nas áreas que visitei, é nítido o melhor desenvolvimento das plantas que receberam Agrosilício. Também observamos maior resistência a pragas e doenças. Os relatos que recebemos dos produtores têm sido positivos”, afirma.

Entre os resultados apontados no projeto estão o estímulo à realização de análises de solo e a contribuição para a melhoria da fertilidade das áreas atendidas.

Um dos casos acompanhados pela Emater-MG fica na Fazenda Córrego da Prata, do agricultor Joaquim Lourenço de Sousa, na região de Almenara. Em uma área de 2 mil metros quadrados cultivada com abacaxi, foram aplicados 500 quilos de Agrosilício.

Parte da lavoura recebeu o insumo, enquanto outra área permaneceu sem aplicação. A divisão permitiu acompanhar visualmente o desenvolvimento das plantas nas duas áreas.

Os registros realizados na propriedade mostram plantas visualmente mais desenvolvidas e uniformes na área que recebeu o tratamento do solo com Agrosilício.

A Emater-MG, porém, ressalta que o caso não foi conduzido como experimento científico. Por isso, a comparação não possui valor estatístico nem permite atribuir resultado de produtividade ao uso do produto. “A diferença visual entre as duas áreas é muito grande. É importante dizer que não fizemos uma pesquisa, com análise estatística, porque não somos um órgão de pesquisa. Mas, visualmente e pelos depoimentos dos produtores, os resultados têm sido muito animadores”, afirma Sérgio.

Além da fruticultura, o coordenador destaca o uso do insumo em pastagens, uma aplicação relevante para Minas Gerais diante da ocorrência de áreas degradadas no estado.

Segundo Sérgio, muitos produtores utilizaram o produto na recuperação dessas áreas. As gramíneas estão entre as plantas que se beneficiam da disponibilidade de silício.

Para o coordenador, a experiência reforça a necessidade de avaliar as condições do solo antes de definir qualquer intervenção. “O produto precisa ser dosado e medido de acordo com a necessidade da planta e do solo. É isso que permite fazer as coisas dentro da técnica”, conclui.

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