PIB do agro mineiro bate recorde de R$ 279 bilhões
Agro mineiro bate recorde no PIB e cresce com destaque para café, soja e milho
Foto: Pixabay
O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio de Minas Gerais atingiu o maior valor da série histórica em 2025, chegando a R$ 279 bilhões e passando a representar 24,1% da economia estadual. Os resultados foram detalhados nesta quinta-feira (3), durante coletiva promovida pelo Sistema Faemg Senar, em Belo Horizonte, com a participação da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), da Fundação João Pinheiro (FJP) e da Associação Mineira da Indústria Florestal (Amif).
Durante a apresentação, o presidente do Sistema Faemg Senar, Antônio de Salvo, atribuiu o desempenho ao trabalho desenvolvido pelos produtores rurais e ao avanço tecnológico no campo. "Para continuarmos avançando, é fundamental que os próximos governos mantenham o diálogo com o setor, respeitem quem produz e garantam condições para que o campo siga crescendo. O Sistema Faemg Senar seguirá levando assistência técnica e gerencial, capacitação e inovação aos produtores de Minas Gerais", afirmou.
Segundo o secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Thales Fernandes, os indicadores demonstram a força do setor na economia mineira. "Dos 17,7% de crescimento nominal do PIB do agro, cerca de 16 pontos percentuais foram impulsionados pela valorização dos produtos agropecuários. O crescimento em volume, de 1,7%, também superou o desempenho da economia estadual, que avançou 1,4%", destacou.
Os dados apresentados mostram ainda que Minas Gerais ampliou sua presença no mercado internacional, exportando para mais de 165 países e registrando novos recordes nas vendas externas. Além disso, mais de 60% dos municípios mineiros têm a agropecuária e as florestas entre as principais atividades econômicas, reforçando a importância do setor na geração de emprego, renda e desenvolvimento regional.
O estudo também identificou mudanças na estrutura econômica do agronegócio. A atualização da matriz de insumo-produto revelou que a participação da produção primária no complexo agroindustrial passou de 12,7% para 22,5%, indicando uma nova configuração da atividade econômica.
Outro ponto destacado foi o comportamento dos preços agrícolas. De acordo com o pesquisador da Fundação João Pinheiro, Raimundo Leal, o setor apresentou desempenho favorável na maior parte dos últimos anos. "Isso representa uma melhora importante nos termos de troca do setor e pode ser considerado um marco histórico para o agronegócio mineiro."
O café foi o principal responsável pelo desempenho do agronegócio em 2025. Conforme os dados apresentados, a commodity registrou valorização média de 65,8% em relação ao ano anterior. Também contribuíram para o resultado os aumentos nos preços do milho, do suíno, do tomate e do boi gordo.
No volume produzido, a soja apresentou crescimento expressivo, passando de aproximadamente 7,7 milhões para 9,2 milhões de toneladas. A produção de milho também avançou, saindo de cerca de 6,6 milhões para 7,1 milhões de toneladas.
O levantamento aponta ainda que o fortalecimento da cadeia produtiva, envolvendo agroindústria, transporte, armazenagem, comércio, serviços e crédito, ampliou a participação do agronegócio na economia de Minas Gerais.
Apesar do resultado positivo, o Sistema Faemg Senar demonstrou preocupação com o Plano Safra 2026/2027. Para Antônio de Salvo, o volume de recursos anunciado está abaixo das necessidades do setor. "A agricultura brasileira precisa de cerca de R$ 1,3 trilhão para financiar uma safra. O governo anunciou R$ 525 bilhões e, no ano passado, nem todo o valor chegou efetivamente às agências bancárias."
O presidente da entidade também chamou atenção para o aumento do custo do crédito rural e para a redução dos recursos destinados ao seguro rural. "O produtor enfrenta riscos climáticos cada vez maiores e precisa dessa proteção. Sem seguro, o crédito fica mais caro e aumenta a insegurança para produzir", afirmou.
Na avaliação de Salvo, a combinação de crédito mais caro, menor oferta de recursos subsidiados e dificuldades de acesso ao financiamento pode comprometer o próximo ciclo agrícola. "Muitos produtores já estão endividados e terão dificuldade para acessar o crédito. Sem recursos suficientes e sem seguro rural, a próxima safra corre riscos", concluiu.