Seca amplia risco de ácaro-rajado nas lavouras de feijão
Manejo integrado combate ácaro-rajado
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O avanço do calor e da seca nas regiões produtoras tem ampliado a preocupação com o ácaro-rajado (Tetranychus urticae) nas lavouras de feijão. A praga encontra nas altas temperaturas e na baixa umidade condições ideais para acelerar sua reprodução, tornando o monitoramento e o manejo mais rigorosos. Especialistas alertam que o controle deve combinar práticas culturais, biológicas e químicas para reduzir perdas de produtividade e preservar a qualidade dos grãos.
Segundo orientações técnicas, o ácaro-rajado é considerado uma das principais ameaças fitossanitárias do feijoeiro durante períodos de estiagem. O manejo eficiente passa pela identificação precoce da praga, compreensão de sua dinâmica populacional em condições climáticas adversas e adoção de estratégias integradas, sempre respeitando as recomendações presentes em rótulos, bulas e receituários agronômicos.
Nas áreas produtoras de feijão, veranicos, temperaturas elevadas e baixa umidade relativa do ar favorecem a rápida multiplicação do ácaro-rajado. Em diversas regiões, esse cenário coincide com fases decisivas da cultura, como o florescimento e o enchimento de vagens. Nessas etapas, o estresse hídrico somado ao ataque da praga pode comprometer tanto a produtividade quanto a qualidade da produção.
Os técnicos destacam que um dos erros mais comuns é considerar o ácaro-rajado um problema secundário e iniciar o controle apenas quando as folhas já apresentam aspecto prateado, amarelado e começam a cair. Nessa situação, a população da praga já se encontra elevada, dificultando a eficiência dos tratamentos e reduzindo o retorno econômico. Por isso, em períodos de calor e seca, o monitoramento preventivo deve fazer parte do planejamento fitossanitário da lavoura.
O ácaro-rajado, cientificamente denominado Tetranychus urticae, é um ácaro fitófago e polífago que mede entre 0,3 e 0,5 milímetro. Ele se alimenta do conteúdo das células das folhas e se instala, principalmente, na face inferior, onde forma teias finas que abrigam ovos e formas jovens.
O desenvolvimento da praga é diretamente influenciado pelas condições climáticas. Em temperaturas elevadas, o ciclo entre ovo e fase adulta é reduzido, permitindo maior número de gerações durante a safra. A baixa umidade também reduz a ocorrência de fungos que atuam naturalmente no controle do ácaro, favorecendo seu crescimento populacional. Nessas condições, as fêmeas aumentam a postura de ovos, acelerando a infestação.
Essas características explicam por que o ácaro-rajado costuma se tornar um problema recorrente em períodos de calor e seca, sobretudo em lavouras submetidas ao déficit hídrico ou a desequilíbrios nutricionais.
O reconhecimento precoce da praga é apontado como decisivo para o sucesso do manejo. Entre os primeiros sinais estão pequenas pontuações amareladas na face superior das folhas, que evoluem para um aspecto prateado ou amarelado mais intenso. Com o avanço da infestação, as folhas podem adquirir coloração bronzeada, secar nas bordas e cair antes do tempo, deixando a planta com aparência de queimadura.
Outro indicativo importante é a presença de teias finas na face inferior das folhas, especialmente nas mais velhas, onde ficam concentrados ácaros e ovos. Em ataques mais severos, essas teias também envolvem pecíolos e ramos da planta.
Com o auxílio de lupa de aumento entre 10 e 20 vezes, é possível observar os ácaros de coloração esverdeada ou amarelada, com manchas escuras características no corpo, além dos ovos esféricos distribuídos sob as teias.
Os especialistas alertam que sintomas de deficiência nutricional e estresse hídrico também provocam amarelecimento das folhas, mas diferem do ataque do ácaro-rajado por não apresentarem teias nem o padrão de pontuações finas iniciado na face inferior. Diante de suspeitas, a confirmação deve ser feita por meio da observação direta da praga.
Ao reduzir a área foliar funcional, o ácaro-rajado compromete a fotossíntese e acelera o envelhecimento das plantas. Em períodos de calor e seca, quando o feijoeiro já enfrenta limitações hídricas, o ataque da praga intensifica os prejuízos fisiológicos.
Entre os impactos observados estão a redução do número de vagens por planta, a diminuição da quantidade de grãos por vagem, menor peso dos grãos e maior desuniformidade na maturação da lavoura. Em situações de infestação intensa e sem controle, as perdas de produtividade podem ser expressivas.
Além dos prejuízos diretos, a queda precoce das folhas expõe o solo, favorecendo processos erosivos e aumentando a perda de umidade, agravando o estresse das plantas.
Em cenários de calor e baixa umidade, o planejamento fitossanitário deve considerar fatores que aumentam o risco de surtos da praga, como veranicos prolongados, solos com baixa retenção de água, irrigação insuficiente, histórico de ocorrência da praga e uso repetitivo de inseticidas e acaricidas com o mesmo mecanismo de ação, situação que reduz a presença de inimigos naturais e favorece a resistência.
Durante o fechamento das entrelinhas até o enchimento das vagens, a recomendação é intensificar as inspeções da lavoura, principalmente em bordaduras e áreas mais secas. Em períodos críticos, o intervalo entre monitoramentos deve ser reduzido e as avaliações realizadas com lupa, registrando a presença de ácaros, ovos, teias e sintomas nas plantas.
Os técnicos ressaltam que a decisão de realizar o controle químico não deve considerar apenas a presença da praga. É necessário avaliar o estádio da cultura, a intensidade da infestação, a tendência de crescimento populacional e a previsão climática, sempre com acompanhamento de profissional habilitado.
Entre as medidas preventivas, o manejo adequado da água é considerado essencial. Em áreas irrigadas, recomenda-se manter níveis de umidade que evitem estresse hídrico prolongado, sobretudo durante o florescimento e o enchimento das vagens, além de reduzir oscilações entre excesso e falta de água.
Também é importante manter o equilíbrio nutricional da lavoura. Plantas bem nutridas apresentam maior capacidade de suportar ataques moderados, enquanto o excesso de nitrogênio pode favorecer tecidos mais suscetíveis ao desenvolvimento da praga.
O controle de plantas daninhas também integra o manejo preventivo, já que diversas espécies funcionam como hospedeiras alternativas do ácaro-rajado durante a entressafra e no início do cultivo.
Outra estratégia indicada é a rotação de culturas com espécies menos favoráveis ao desenvolvimento do ácaro, além do manejo adequado das áreas em pousio para reduzir a sobrevivência da praga entre uma safra e outra.
Quando o monitoramento indicar necessidade de controle químico, os especialistas orientam utilizar apenas acaricidas registrados para a cultura do feijão e para o alvo específico, seguindo rigorosamente as recomendações presentes na bula e no receituário agronômico.
Também é recomendado alternar ingredientes ativos com diferentes mecanismos de ação para reduzir o risco de resistência, além de considerar produtos que atuem em diferentes fases do desenvolvimento do ácaro.
O momento da aplicação influencia diretamente a eficiência do controle. Em períodos de calor intenso, a recomendação é priorizar horários que reduzam perdas por evaporação da calda e minimizem o estresse sobre as plantas.
A qualidade da pulverização também é determinante, já que o alvo principal se encontra na face inferior das folhas. Ajustes no volume de calda, na regulagem das pontas de pulverização e na velocidade de operação contribuem para ampliar a cobertura e reduzir falhas no controle.
Os especialistas reforçam que o uso de acaricidas deve ocorrer somente mediante receituário agronômico, com acompanhamento técnico e utilização obrigatória de equipamentos de proteção individual, respeitando os intervalos de segurança e toda a legislação vigente.
O manejo biológico também pode contribuir para reduzir as populações do ácaro-rajado. Inimigos naturais, como ácaros predadores e outros organismos benéficos, ajudam a manter a praga sob controle quando preservados no ambiente.
Por isso, recomenda-se evitar aplicações indiscriminadas de produtos de amplo espectro, que eliminam organismos benéficos e favorecem novos surtos da praga. Em algumas situações, também podem ser utilizados agentes de controle biológico comercial, conforme recomendação técnica.
Os especialistas destacam que o controle do ácaro-rajado deve fazer parte de um programa mais amplo de manejo integrado de pragas e doenças do feijoeiro, considerando também outras pragas comuns em períodos de calor e seca, como mosca-branca e tripes.
Na elaboração do calendário fitossanitário, é importante buscar integração entre diferentes estratégias de controle, respeitando a compatibilidade entre produtos e adotando apenas misturas autorizadas em bula. A escolha de cultivares adaptadas às condições locais também aumenta a resiliência das plantas.
Práticas de manejo do solo, como manutenção da matéria orgânica e melhoria da retenção de água, também ajudam a reduzir oscilações de umidade e fortalecem o desenvolvimento das plantas frente ao ataque da praga.
Os especialistas recomendam intensificar o monitoramento durante veranicos, observar sempre a face inferior das folhas com auxílio de lupa, diferenciar corretamente os sintomas de estresse hídrico e deficiência nutricional, reduzir o estresse das plantas por meio do manejo adequado da irrigação e da adubação, controlar plantas daninhas hospedeiras, alternar mecanismos de ação dos acaricidas, ajustar a tecnologia de aplicação para alcançar a face inferior das folhas, preservar inimigos naturais e registrar o histórico das infestações para aperfeiçoar o manejo nas próximas safras.
O conteúdo possui caráter informativo e não substitui a avaliação de um engenheiro agrônomo em condições reais de campo.
As orientações apresentadas têm como base publicações da Embrapa, além de referências técnicas nacionais e internacionais sobre manejo integrado de pragas e ácaros de importância agrícola.