Açúcar sobe com apoio das commodities energéticas
A recuperação foi impulsionada principalmente por dois fatores
A recuperação foi impulsionada principalmente por dois fatores - Foto: Divulgação
O mercado sucroenergético encerrou a última semana marcado por movimentos distintos entre o açúcar e o etanol, com influência de fatores externos, câmbio e início da nova safra no Centro-Sul do Brasil. Segundo a StoneX, o açúcar bruto negociado em Nova York avançou na esteira das commodities energéticas, enquanto o etanol hidratado registrou queda sustentada pela entrada da safra 2026/27.
No açúcar bruto, o contrato NY #11 com maior liquidez, para julho de 2026, passou de US¢ 13,48 por libra-peso na sexta-feira anterior para US¢ 14,11 por libra-peso no fechamento de 24 de abril. A alta acumulada foi de aproximadamente 4,7% no período, em um movimento interpretado como correção técnica após a sequência de perdas observada na semana anterior.
A recuperação foi impulsionada principalmente por dois fatores. O primeiro foi o avanço expressivo do petróleo Brent ao longo da semana, que reforça a atratividade do etanol no mix produtivo brasileiro. O segundo foi a valorização do real, que alcançou o patamar mais forte frente ao dólar em dois anos, reduzindo a oferta exportável no curto prazo.
Apesar da reação recente, o cenário estrutural ainda mantém pressão baixista sobre os preços. A StoneX aponta que o superávit global esperado para 2025/26, no ciclo de outubro a setembro, segue como fator de fundo para o mercado. Esse quadro é sustentado especialmente pelo excedente robusto da Tailândia no primeiro semestre de 2026 e pelas expectativas de produção no Centro-Sul brasileiro na safra 2026/27.
No mercado doméstico de etanol, o hidratado recuou ao longo da semana. Nas usinas de Ribeirão Preto, as cotações passaram de R$ 3,07 por litro em 17 de abril para R$ 2,92 por litro em 24 de abril, queda de cerca de 5%. No início da nova semana, já havia indicativos de preços abaixo de R$ 2,90 por litro.
O movimento reflete o começo da safra 2026/27, para a qual se projeta aumento do mix etanoleiro das usinas de cana e produção recorde de etanol no Centro-Sul. A queda nas cotações melhora a competitividade do biocombustível em relação à gasolina, que segue pressionada no mercado internacional pelo conflito no Oriente Médio.